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BRASIL
Segunda-feira, 12 de Março de 2012, 20h:42

ADEUS, LIDERANÇA

Após rebelião, Jucá deixa liderança

Insatisfeita com a rebelião do PMDB, a presidente Dilma Rousseff resolveu tomar a decisão de mudar a liderança do governo no Senado

Insatisfeita com a rebelião do PMDB que culminou na não aprovação de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a presidente Dilma Rousseff tirou do senador Romero Jucá (PMDB-RR) o posto de líder do governo no Senado. Para substituí-lo, a presidente escolheu o senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Jucá ocupava a liderança no Senado desde o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e se manteve no posto nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A presidente se reuniu por quase duas horas no final da manhã de ontem com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), responsável pela articulação política, para anunciar a decisão, segundo relatos da assessoria de Calheiros. O anúncio oficial da troca de liderança pode acontecer em até três dias. Na noite de ontem, a ministra Ideli Salvatti se reuniu com líderes do PMDB e do PT, como acontece de praxe. O novo líder, Eduardo Braga, ainda não quer se manifestar sobre a escolha da presidente. Há semanas, o PMDB se mostra insatisfeito com a postura do Planalto frente aos ministérios e os partidos. Segundo um peemedebista, o governo trata o seu principal aliado a "pão e água" e mantém o PT em pastas com grandes orçamentos e de grande visibilidade, como os ministérios da Saúde e da Educação. A insatisfação do PMDB aumentou neste ano de eleições municipais, uma vez que o partido comanda a maioria das prefeituras brasileiras e não quer perder o posto. Parte dos deputados da legenda chegaram a entregar um manifesto. Além disso, o partido vai se reunir no dia 17 de abril para um encontro nacional. Bem mais discretos, os senadores peemedebistas preferiram não fazer alarde, mas surpreenderam o Planalto quando rejeitaram a recondução de Bernardo Figueiredo como diretor-geral da ANTT. O episódio foi classificado pelo ministro da Secretaria Geral e um dos principais interlocutores de Dilma, Gilberto Carvalho, como um "momento tenso" entre o governo e a base aliada.

Edição EDIÇÃO 16960




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