BRASIL
Quarta-feira, 31 de Março de 2010, 21h:51
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NOVOS MINISTROS
Apoio do PMDB pesou na escolha
JOÃO DOMINGOS e GERUSA MARQUES
Da Agência Estado Brasília
Ao escolher os sucessores empossados ontem - dos dez ministros que saíram do governo para disputar as eleições de outubro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou em conta a necessidade de assegurar o apoio do PMDB à candidatura da petista Dilma Rousseff. Lula optou, por exemplo, por substituir Reinhold Stephanes, da Agricultura, pelo ex-deputado do PMDB paulista Wagner Rossi porque, com ele, enfia uma cunha na trincheira do ex-governador Orestes Quércia, aliado do tucano José Serra. Com Rossi - e depois de ouvir o presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer (SP) -, Lula acredita que racha a legenda em São Paulo. Rossi era presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Durante sua gestão na estatal, teria contratado 20 assessores políticos para o lugar de técnicos. O ex-deputado procurou se defender, dizendo que já havia prestado os devidos esclarecimentos sobre o assunto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Avisou ainda que o presidente Lula não cobrou nada dele. O substituto de Hélio Costa no Ministério das Comunicações também seguiu os mesmos passos. O PMDB ouviu Costa e apostou em José Artur Filardi Leite, que era o chefe de gabinete do agora senador, candidato ao governo de Minas Gerais com o apoio de Lula. Filardi e Costa são amigos. Tão amigos que, ao assumir o ministério, Hélio Costa transferiu para Patrícia Leite, mulher de Filardis, o comando da Rádio Sucesso FM de Barbacena, a líder em audiência do município de pouco mais de 125 mil habitantes. A legislação determina que o ministro das Comunicações não seja proprietário de emissora de rádio e TV. Filardis disse ontem, logo depois de tomar posse, que não há problema legal em ter a mulher como sócia da emissora. "Ela só tem a sociedade, não é gerente", disse ele. Mas, se houver algum impedimento, prometeu submeter o assunto à Comissão de Ética Pública. O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, foi substituído por Márcia Lopes, irmã do chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Márcia havia sido secretária-executiva do MDS e cedera o lugar a Arlete Sampaio, que também saiu para se candidatar a deputada distrital em Brasília, pelo PT. Em relação aos outros sete ministros, Lula optou por escolher os secretários-executivos. Para o lugar de Dilma Rousseff, ele chamou Erenice Guerra; para o de Edson Santos, no Ministério da Igualdade Racial, optou por Eloi Ferreira de Araújo; no lugar de Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Lula chamou João Santana; no Meio Ambiente, Carlos Minc cedeu o lugar a Izabella Teixeira; Paulo Sérgio Passos substituiu Alfredo Nascimento nos Transportes; Márcio Zimmermann foi para o lugar de Edison Lobão nas Minas e Energia e Carlos Eduardo Gabas para o de José Pimentel na Previdência.