BRASIL
Sábado, 27 de Março de 2010, 15h:15
A
A
CASO ISABELLA
Alexandre e Anna pegam mais de 57 anos de prisão
Casal é condenado por homicídio triplamente qualificado. Julgamento acabou de madrugada
BRUNO TAVARES, MARCELO GODOY e JOÃO CARLOS DE FARIA
Da Agência Estado - São Paulo
O 2.º Tribunal do Júri de São Paulo condenou, ontem de madrugada, o casal Alexandre Nardoni, de 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, de 26, pela morte de Isabella Nardoni, de 5, em março de 2008. Diante da decisão dos jurados, o juiz Maurício Fossen definiu as penas dos réus: 31 anos, 1 mês e 10 dias para o pai da menina e 26 anos e 8 meses para a madrasta. A defesa já recorreu, mas o casal continuará preso. O casal Nardoni foi condenado por homicídio triplamente qualificado (meio cruel, sem defesa para a vítima e para assegurar impunidade em outro crime), além de fraude processual. Por esse crime, Nardoni e Anna Jatobá pegaram, cada um, mais 8 meses de prisão em regime semiaberto. Na sentença, Fossen afirmou que as penas ficariam acima da base definida no Código Penal em razão da "culpabilidade" do casal e das circunstâncias, em que os réus, disse, demonstraram "frieza emocional e insensibilidade acentuada". Os dois choraram no anúncio da sentença, principalmente Anna Jatobá, que limpava as lágrimas com as algemas. Ela ficará detida em regime fechado pelos próximos 9 anos, quando terá cumprido dois quintos da pena e poderá pedir o semiaberto. Nardoni terá de cumprir 11 anos de prisão antes de poder requerer o mesmo benefício. Júri - A reunião dos sete jurados para decidir o veredicto começou por volta das 22h20 de sexta-feira, em uma sala do Fórum de Santana, na zona norte, onde desde segunda-feira acontecia o julgamento. Eles tiveram de responder a 30 perguntas feitas pelo juiz, 15 sobre a participação de Nardoni no crime e outras 15 sobre a madrasta de Isabella. Duas horas depois, o juiz leu a sentença. Em frente ao Fórum, cerca de 250 pessoas acompanhavam o fim do julgamento e comemoraram. Houve confusão na saída do casal do Fórum. Algumas pessoas avançaram sobre os carros que levavam os Nardoni. A polícia teve de usar spray de pimenta para dispersar a multidão. O casal passou a noite em São Paulo. Nardoni, no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, e Anna Jatobá na Penitenciária Feminina do Carandiru. Na manhã de sábado, devem seguir para as penitenciárias em Tremembé, no interior paulista, onde já estavam presos. Pela manhã, o confronto entre a defesa e a acusação revelou cartas guardadas. Cembranelli chamou os réus de mentirosos e o advogado Podval comparou o caso ao da menina Madeleine. PRESÍDIO Foi tranquila a chegada de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni, aos presídios em Tremembé, a 140 km de São Paulo, onde aguardaram julgamento e, a partir de agora, deverão cumprir suas penas - de 31 anos, um mês e dez dias e de 26 anos e oito meses, respectivamente. Na Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, poucos repórteres e nenhum curioso aguardava a chegada de Alexandre Nardoni, que ocorreu por volta das 2h50 de ontem. O caminhão que trouxe o pai de Isabella, chegou escoltado por uma viatura da policia local e outra da Tropa de Choque, de São Paulo e entrou rapidamente no presídio.] Dez minutos depois, o comboio que conduzia Anna Carolina chegou à Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, localizada no centro de Tremembé. A rapidez com que as três viaturas da escolta e o caminhão entraram frustrou os poucos curiosos que estavam no local. "Foi rápido, né?", perguntou, decepcionada, a diarista Regina Márcia de Campos, 37 anos. Ela e a filha Maiara de Campos, de 16 anos, foram ver a chegada de Anna Carolina logo que soube pela TV, que a presa voltaria à cidade. "Achei merecidas as condenações, pois acredito que eles realmente sejam culpados", afirmou. Maria Helena de Brito, 45 anos, moradora de Taubaté disse que foi ao local "por curiosidade". "Não havia possibilidade de haver outra pessoa. Também não haveria tempo para ter uma terceira pessoa. Foi feito justiça", disse. Segundo um agente penitenciário que trabalha no local, Anna Carolina deveria se integrar ontem à rotina do presídio, onde ela esteve por quase dois anos. A expectativa é se ela receberá ou não, no domingo, alguma visita de parentes. Quanto a Alexandre Nardoni é quase certo que receberá visita dos pais.