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BRASIL
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 23h:32

FORA DO PÁREO

Aécio desiste de pré-candidatura

O governador mineiro se pronunciou por meio de carta a desistência a presidência, na qual lamenta a ausência de prévias no partido

EDUARDO KATTAH, CAROL PIRES E ANA CONCEIÇÃO
Da Agência Estado – Belo Horizonte, MG
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou Oontem, a desistência de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSDB. A decisão abre o caminho para a consolidação da candidatura do governador paulista, José Serra, que evitou comentar a retirada. Acompanhado do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), do secretário-geral, deputado Rodrigo de Castro e do vice-governador Antonio Anastasia, Aécio leu uma carta que foi entregue a Guerra numa reunião realizada na manhã de ontem, em Belo Horizonte. Nela, o governador mineiro lamenta a ausência de prévias no partido, mas reafirma sua disposição em colaborar com o projeto tucano. "Deixo a partir deste momento a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República, mas não abandono minhas convicções e minha disposição para colaborar com meu esforço e minha lealdade para a construção das bandeiras da Social Democracia Brasileira", diz o texto lido pelo governador mineiro. Em entrevista após o anúncio, Sérgio Guerra disse ser "improvável" a possibilidade de uma chapa puro sangue, com Serra como candidato e Aécio como vice. Para setores da oposição, essa seria a melhor fórmula para derrotar a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra-chefe da Casa Civil é a favorita do presidente. Aécio havia estipulado o início de janeiro como prazo final para tomar uma decisão sobre seu futuro político, mas vinha dando sinais de que a desistência já seria um fato consumado. Há pouco mais de uma semana, o governador mineiro chegou a dizer que anteciparia o anúncio para esta semana, após uma conversa que teria com o colega paulista. Aécio defendia uma definição do PSDB sobre a candidatura do partido à Presidência ainda em 2009, com vistas a acelerar o processo de formação de alianças no campo da oposição. Segundo Sérgio Guerra, "o caminho mais provável" agora é que Aécio Neves dispute o Senado. O presidente do PSDB disse, no entanto, que este assunto não foi discutido no encontro que teve nesta quinta com o governador mineiro. Embora Serra negue que seja pré-candidato à Presidência, ele aparece como favorito à sucessão de Lula em todas as pesquisas eleitorais. O governador paulista participou de evento na tarde desta quinta-feira. Demonstrando bom humor, fez um rápido discurso e saiu sem falar com a imprensa. 'Tudo bem' - Sérgio Guerra foi informado por Aécio de que havia tomado a decisão na segunda-feira. O governador pediu a Guerra, então, que fosse até Minas Gerais para que pudessem conversar. Segundo o senador pernambucano, Serra lhe telefonou logo após o anuncio feito por Aécio em Belo Horizonte. "Serra também já falou com o Aécio, está tudo bem", limitou-se a dizer Sérgio Guerra. Em um coquetel de confraternização dos partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS -, na terça-feira, parlamentares dos três partidos comentaram, em discursos e em conversas reservadas, que a chapa pura do PSDB à presidência da República era "a chave da vitória da oposição". O presidente do PPS, Roberto Freire, e o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disseram ainda, em discursos, que os dois partidos não tinham a pretensão de indicar os candidatos à vice. Carta - Nos primeiros parágrafos da carta entregue a Sérgio Guerra, Aécio explicou a razão de sua insistências na realização de prévias no PSDB. "Acredito que teria sido uma extraordinária oportunidade de aprofundar o debate interno, criar um sentido novo de solidariedade, comprometimento e mobilização, que nos seriam fundamentais nas circunstâncias políticas que marcarão as eleições do ano que vem." Aécio reforçou o argumento de que sua pré-candidatura teria condições de ampliar a aliança da oposição. Nos últimos meses, Aécio vinha tentando se aproximar de outras siglas, entre elas PDT e o PSB de Ciro Gomes, com quem protagonizou aparições em público. "Ao apresentar o meu nome, o fiz com a convicção, partilhada por vários companheiros, de que poderia contribuir para uma construção política diferente, com um perfil de alianças mais amplo do que aquele que se insinua no horizonte de 2010," afirmou na carta. Quanto ao prazo de definição do nome tucano à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio lembrou sua principal divergência com o governador de São Paulo, José Serra. "Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições", argumentou. Por fim, ele admite que sua "participação não poderia mais colaborar para a ampla convergência que buscava construir", o que justificaria sua desistência do pleito. "Busco contribuir, dessa forma, para que o PSDB e nossos aliados possam, da maneira que compreenderem mais apropriada, com serenidade e sem tensões, construir o caminho que nos levará à vitória em 2010."

Edição EDIÇÃO 16959




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