O advogado Marcelo Leonardo, que representa Marcos Valério Fernandes de Souza nos processos criminais, e a Procuradoria da República em Minas Gerais negaram ontem que o lobista apontado como principal operador do mensalão esteja negociando um acordo de delação premiada que possa levar a novas provas do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público Federal (MPF) informou por meio de sua assessoria que desconhecia qualquer negociação nesse sentido."Não tem nenhuma negociação, nenhuma conversa sobre isso", afirmou Leonardo, observando que é o advogado que "com exclusividade faz a defesa de Marcos Valério no âmbito criminal" NEGOCIAÇÃO A notícia da suposta negociação visando a delação premiada - um acordo entre acusação e defesa que permite a redução ou isenção da pena em troca de novas informações - foi publicada pelo jornal 'Folha de S. Paulo' em sua edição desta segunda-feira. Segundo o jornal, os entendimentos são mantidos em sigilo. Fontes do MPF em Minas informaram que assessores do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, chegaram a questionar na semana passada se no âmbito estadual teria sido feita alguma proposta neste sentido pela defesa de Valério. A resposta foi negativa. Valério voltou a frequentar o noticiário recentemente. Um jornal mineiro informou que ele estava sendo vítima de extorsão do Primeiro Comando da Capital (PCC) depois de sofrer agressões durante o período em que esteve encarcerado na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo. Outro periódico noticiou que Valério contou a um ex-companheiro de prisão que foi espancado e que precisou recorrer ao PCC para sair da cadeia com vida. Conforme a versão, nos 98 dias em que esteve preso, Valério teria passado dez dias num regime especial de reclusão, numa cela que foi aberta quatro vezes por detentos que o agrediram em busca de informações sobre o paradeiro de um DVD, "supostamente contendo revelações capazes de derrubar a República". Valério foi preso em outubro do ano passado, durante a Operação Avalanche, da Polícia Federal - que investigou uma suposta trama para desmoralização de dois fiscais de tributos estaduais de São Paulo que autuaram em R$ 105 milhões uma cervejaria, cujo presidente é amigo do lobista mineiro. Valério é acusado de intermediar uma negociação para corromper policiais federais e favorecer a cervejaria. Ele ficou preso até 14 de janeiro, quando foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. O advogado já negou a suposta extorsão do PCC e disse que não poderia nem confirmar nem desmentir as informações sobre as agressões tendo como objetivo o suposto DVD, pois não havia conversado com seu cliente sobre esse assunto. O advogado afirmou que está se dedicando às audiências das testemunhas arroladas pela defesa dos réus no processo do mensalão, que estão sendo colhidas na Justiça Federal em Belo Horizonte.