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Sexta-feira, 12 de Maio de 2000, 22h:52

EUROPA

Educação sexual reduz gravidez precoce na Holanda

AMSTERDÃ - Uma em cada quatro mulheres no mundo tem um filho ainda na infância, a maioria delas nos países pobres. Na Irlanda e na Espanha registram-se, respectivamente, 15 e 7,8 casos de gravidez entre mil adolescentes; no Brasil aumentaram em 31% as meninas grávidas de 10 a 14 anos; no Reino Unido verifica-se a taxa mais alta da Europa: 8 mil adolescentes engravidam por ano. Por continente: na África, 12% das mulheres que dão à luz são menores; na América Latina, 8%; na América do Norte, 5%; são 4% na Ásia, 2% na Europa e 3% na Oceania. Os dados constam do último relatório da Agência de Planejamento Familiar das Nações Unidas (Unfpa), que destaca a excepcionalidade da Holanda, com apenas quatro grávidas em cada mil adolescentes. Por que os jovens holandeses podem desfrutar do sexo sem problemas, como em nenhum outro lugar do planeta? Os especialistas concordam no diagnóstico: o clima aberto e laico da educação sexual a partir dos 11 anos, e também a facilidade de acesso dos menores a qualquer método anticoncepcional, incluindo o aborto. Na Holanda, todos os professores de biologia possuem uma maleta padronizada contendo todos os tipos de preservativos femininos e masculinos, além de minicomputadores para testes de gravidez por análise de urina. "O professor tirou a camisinha da caixa, a abriu e colocou no cabo da vassoura que usamos para limpar a classe. Disse que sentia muito não ter uma banana, que seria um exemplo mais realista", conta Eva, 15 anos, que ainda não teve relações sexuais e afirma que, quando chegar a hora, estará "informada e preparada". Na última pesquisa nacional sobre sexualidade juvenil, constatou-se que os jovens holandeses começam a praticar sexo aos 15 anos, e que 85% deles o fazem usando anticoncepcionais como camisinha, pílula ou uma combinação de ambos, conhecida como "método duplo holandês" - um dos favoritos entre os jovens. A pílula é paga pelo seguro-saúde, as camisinhas podem ser compradas nos supermercados. As receitas são assinadas por qualquer médico de família ou, caso se deseje manter o sigilo, pela Fundação Rutgers, uma instituição nacional dedicada ao planejamento familiar. Tolerância Hannie Bonink, sexóloga da instituição, afirma que o clima na Holanda é de tamanha tolerância "que já não somos tão necessários quanto antes. É aberto em todos os níveis, incluindo os pais". Com sete centros na Holanda, a fundação quer que os adolescentes "tenham relações de maneira segura e prazerosa". Se, apesar de tudo, se chegar ao aborto, ele é gratuito, e entre os 12 e 16 anos pode ficar em segredo entre médico e paciente, já que a lei os exime da obrigatoriedade de informar aos pais, caso isso possa ser prejudicial à menor. Kees Gijsbers, professor de biologia numa escola secundária que dá um semestre inteiro de educação sexual para adolescentes de 14 anos, afirma que o faz num ambiente "muito natural, sem tensões. Estamos todos acostumados a tratar a sexualidade de maneira aberta". A Sociedade Holandesa para a Reforma Sexual, fundada no início do século, teve a batuta da mudança de mentalidade. Sua missão informativa nos meios de comunicação, educativa nas escolas e de lobby no Parlamento produziu uma transformação radical. Segundo um estudo do prestigioso Instituto Holandês de Sexologia, uma grande porcentagem da gravidez de menores registradas na Holanda são de meninas pertencentes a minorias étnicas, com uma cultura de tabu sobre o sexo e alto grau de religiosidade. Para as crianças holandesas, tudo está muito claro. "Eu sei tudo. Também sei sobre herpes genital. Ugh, que nojo! No colégio nos informam para não engravidar ou contrair doenças", diz Tineke, 14 anos. A menina afirma que vai ter contato íntimo com um menino "depois de termos pensado sobre isso juntos, estar prontos, não ter medo e gostar um do outro de verdade".

Edição EDIÇÃO 16962




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