Vou defender o ministro mineiro negro Joaquim Barbosa, do STF. Ele, lento de raciocínio, no auge de um debate cujas testemunhas foram o povo brasileiro e pela importância do cargo que exerce, foi fatalmente driblado pelo inconsciente. Sem argumento pelo simples fato de faltar à sessão em que houve o exaustivo debate sobre o assunto dos tabeliães do Pará, o ministro Barbosa argumentou que não sabia de nada sobre o que estaria sendo votado, acusando, também injustamente, o Ministro diamantinense, presidente Gilmar Mendes, do STF, de sonegar informes a ele. Até aqui o povo mato-grossense está surdo de tanto ler. Joaquim Barbosa não leu o processo e não gostou dele. Agora é a minha vez. Há muita gente grande neste Brasil que confunde prisões feitas pela polícia federal com o poder judiciário emanado por ela própria. Poucos entendem que ela apenas cumpre ordem judicial emanada, não por ela, mas por um juiz de Direito, por quem de Direito. Quando a polícia cumpre o dever de executar uma ordem de prisão, poucos têm tempo de pensar sobre quem assinou/determinou tal prisão. Foi uma autoridade do poder judiciário que todos devem saber que é composto apenas por juízes de Direito e Desembargadores. Nunca pelos funcionários que não são e jamais foram um poder judiciário, apenas prestam serviços no/para aquele poder. Igual artista da Globo. Carteirinha funcional de jardineiro que se apresenta sempre como artista. Meia verdade. É da TV Globo, mas não é artista de novela. É outro artista em outra arte, também dignificante. O mato-grossense de Diamantino Gilmar Mendes é presidente do STF, suprema corte de justiça em nosso país. É o Supremo Tribunal Federal. Não é o STJ: Superior Tribunal de Justiça. Mas vi e ouvi coisas do arco da velha na imprensa de meu país. Uma confusão gigantesca semelhante a do ministro Barbosa em seu ímpeto classista e xenófobo contra Mato Grosso. Contra o povo daqui que, a partir de quinta-feira, passou a ser conhecido como bandoleiro. Povo bandoleiro. Acho que jornalistas também deveriam ser bacharéis em Direito a fim de se defenderem dos rábulas políticos, aproveitadores candidatos para eleições futuras usando e abusando das funções ilegais de jornalistas por aqui e, ao mesmo tempo, interpretarem corretamente as rodas quadradas da carroça Brasil andando fora da estrada. E retornarem ao uso da bonita metáfora dos radialistas esportivos, gigantes heróis daqui, e chamarem a nossa região de Grande Cuiabá e não a ridícula, por errada, expressão baixada cuiabana que é um termo usado em Cartografia/Geografia às regiões onde há mar. Onde há rio é Vale ou Planície. O que leva alguns alunos a errarem nas provas do ENEM. Mas, afirmei que vou defender o ministro Barbosa. O subconsciente dele acusou para o Brasil inteiro ver e conviver que Mato Grosso não existe. Não é expressão nacional nem muito menos política. Mato Grosso é um calo na inteligência do ministro por ser um zero à esquerda no panorama político brasileiro. Nem sei se festejo isso ou continuo entristecido. Ele, certamente, não teve a intenção de agredir o povo de Mato Grosso. Ele apenas nem sabe se há povo por aqui. Afinal, temos algum político em Brasília? A resposta é do povo. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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