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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2011, 19h:15

AIRTON REIS

Violão e viola ou vilão e violino?

Resposta respaldada em conhecimento mais do que musical. Tráfico de influência estampado em manchete de jornal. Crime encomendado em emboscada planejada com crueldade. Vítima carbonizada sem qualquer humanidade. Hora da verdade apurada em júri popular. Dia da defesa diante da acusação. Instante da culpa comprovada numa mesma execução. Momento da inocência presumida diante do tribunal. Direito à vida alvejada por tiros certeiros oriundos de um mesmo arsenal. Banco dos réus desbancados. Banco dos réus desafortunados. Banco dos réus julgados por crimes contra a vida humana. Banco dos réus integrantes da ralé da pátria republicana. Banco dos réus camuflados em cordeiros. Banco dos réus associados em quadrilhas. Banco dos réus integrantes de matilhas. Banco dos réus infratores de primeira viagem. Banco dos réus flagrados em pilhagem. Banco dos réus da malandragem do colarinho engomado. Banco dos réus na engrenagem jurídica enferrujada em ordenamento legal. Banco dos réus na drenagem mais do que social. Banco dos réus sentenciados no rigor da legislação penal. A mesma praça sem retoques além do corante desbotado em água e cal. O mesmo banco de madeira transformado em pombal. A mesma coisa pública despida e sem qualquer moral. O mesmo mandante disfarçado ora de sabiá, ora de pardal. A mesma inquietação popular. O mesmo inquérito falseado. A mesma vítima. O mesmo túmulo violado. A mesma escrevente juramentada. O mesmo taxista em viagem contratada. A mesma ameaça à corrupção generalizada. O mesmo trator de esteira. A mesma articulação em negociata mais do que comercial. O mesmo assassinato em nada banal. A lista dos magistrados marcados para morrer. A lista dos magistrados escolhidos para defender. A lista dos magistrados cientes do dever. A lista dos magistrados além do seio familiar ameaçado. A lista dos magistrados além do papel timbrado. A lista dos magistrados neste e em qualquer Estado Federado. A lista dos magistrados nas mãos do crime organizado. A lista dos magistrados nos gatilhos disparados neste e naquele tempo. De alguma forma, Leopoldino Marques do Amaral vive na eternidade. De alguma forma, Leopoldino Marques do Amaral não foi calado apenas por denunciar a arbitrariedade. De alguma forma, Leopoldino Marques do Amaral é parte fundamental na busca da verdade. De alguma forma, a falsidade não vigora. De alguma forma, quem é gato escaldado nem sempre se transforma em lebre da cartola. Violão no palco ou viola na sacola? Enquanto houver justiça, haverá julgamento. Enquanto houver crime, haverá sentença e quiçá condenação adequada. Enquanto houver direito, haverá legislação atualizada. Enquanto houver sangue derramado, haverá o devido processo legal. Enquanto houver mais de um olho fechado em morte nada natural, haverá mais de uma boca aberta independente de instância ou tribunal. Vilão assassino ou corda arrebentada de violino? *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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