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ARTIGO
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008, 22h:31

PAULO ZAVIASKY

Vereador não terá salário

Sou candidato a vereador por Cuiabá. Nem que seja daqui a mil anos, após a ditadura que vem por aí e que até agora poucos sul-americanos perceberam. Até porque, a partir do próximo mandato, vereador não terá mais salário algum, segundo projeto em andamento no congresso nacional. Qual é o cuiabano que não criticou o enxame de candidatos esquimós, “soviéticos”, americanos, das ONGs, dos direitos humanos dos bandidos, das igrejas evangélicas, do crime organizado, da Capela do Piçarrão (VG/MT), SP, PR, GO, CE, PI, BA, RJ, Bolívia, Venezuela, Equador e Coxipó do Ouro para a Câmara Municipal de Cuiabá? Agora, muitos deles estão aí mudando a história de verdade daqui. Criticou, só criticamos, porém não erguemos bandeira alguma. Fomos poucos. E, todos os candidatos são, no mínimo, suplentes de vereadores de Cuiabá, mesmo que figurem em último lugar. Só vivemos exigindo isto, aquilo e mais aquilo. Neste último encontro de membros do senadinho e de todos os freqüentadores da famosa “Chácara Pica Pau Amarelo”, ali no Coxipó do Ouro, duas personalidades influentes e de sucesso empresarial e político nesta capital fizeram a seguinte pergunta que ninguém, nenhum cuiabano presente, soube responder: por que o cuiabano é covarde diante das urnas daqui mesmo? Eu tenho as minhas razões. Covardemente, não aprecio levar tapas no rosto. Fui vitrine muito tempo nesta vida cuiabana. Exposto como apresentador de TV em fantasioso sucesso na juventude, sofri como cachorro de bugre pelas estilingadas que todo mundo adora mirar nos vidros a céu aberto. Recolhi os flaps da aeronave das aventuras de jovem, enrolei o pára-quedas, pendurei as chuteiras de artista de televisão, fiquei careca, barrigudo, casado e velho aposentado, feio e me transformei em espectador e crítico de tudo nesta vida cuiabana de meu Deus. Reconheço o erro. Réu confesso contra esse item de cidadania. E reverencio todos aqueles que, corajosamente, levantaram as bandeiras de candidaturas, seja lá por qual motivo sonhado. Nunca fui candidato porque sempre fantasiei que político não presta. Facílima demais essa crítica, hoje reconhecidamente injusta. É verdade. Quantos são os homens de bem... Mas, covardes como eu! Apontamos falhas através de grupos de e-mails, internet, de roda de bar, em associações dos críticos inveterados, instituições contra Lula. Mas, ficamos apenas nisso. Não gostamos disso, daquilo, alguns vomitam até soluções, mas tudo restrito entre apenas amigos e familiares. Raros os que assinam embaixo publicamente. Não se fala na liberdade democrática do Lula e nem dos seus acertos. Há governo de Lula, sou contra, sem nem saber por quê. Bandeiras da cuiabania são erguidas quando falando sozinho no banheiro ou no ouvido do amigo, familiar, companheiro. Na presença do povo, nem pensar. Como eu que sempre tive receio de todo mundo imaginar que desejaria ser candidato a vereador por causa do maior salário do Brasil, juntando tudo que até dá susto na gente, ou inveja, acabo de descobrir que está proposto e poderá ser aprovado um projeto que elimina o salário dos vereadores do Brasil. A exemplo do que acontecia alguns anos atrás, em que o vereador Giunchiglio Luiggi Bello, na presidência daquele nosocômio, proporcionou momentos de grandeza sob a égide do amor e competência às coisas e causas de Cuiabá, a exemplo de todos os outros daquele tempo em que vereador trabalhava de graça para o povo cuiabano! E se fazia muito mais pelo povo. Agora que tal projeto se desenvolve e, caso aprovado, sem salário, de graça, eu serei um dos primeiros na fila a me candidatar a vereador por Cuiabá. * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está no 24horasnews e comenta na Rádio Natureza de Chapada (MT) e emissoras autorizadas [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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