As manifestações populares pedindo mudanças e em protesto contra a corrupção e a impunidade ainda estão ecoando país afora. Deputados e senadores se apressaram em aprovar projetos engavetados para aplacar o clamor das ruas, mas ao que parece nem todos estão dispostos a colocar em prática as tais mudanças. Acostumados à impunidade, ainda insistem em afrontar É o caso do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves que no último domingo, dia em que a seleção brasileira enfrentou a Espanha no Maracanã, requisitou uma avião da FAB para levá-lo ao Rio de Janeiro e de quebra levou consigo mais sete pessoas, um de seus filhos, sua noiva - Laurita Arruda -, dois filhos e um irmão dela, o publicitário Arturo Arruda, e a mulher, Larissa. A viagem, segundo ele, seria para cumprir agenda de um encontro com o prefeito do Rio, Eduardo Paes para discutir o cenário político do país. Isso em pleno sábado, véspera do jogo da seleção, sendo que a reunião não foi divulgada na agenda oficial dos dois políticos. Tudo bem, a gente acredita na sinceridade do deputado que determinou a sua assessoria o reembolso à União das despesas com sua entourage, no valor de R$ 9.700. Mas se a pauta do encontro com o prefeito carioca, que ele disse ter sido agendado antecipadamente, fosse de fato o cenário político do país, o deputado já deveria ter se atentado que a tal carona não se enquadrava no atual momento político. E nem passaria despercebido. Até porque em tempo de redes sociais fica difícil esconder façanhas como essa. Principalmente se os membros da comitiva, no afã de mostrar a proximidade com poder, fazem closes para seus perfis nas redes. A prática de fazer cortesia com o chapéu alheio sempre teve muitos adeptos no meio político. A imprensa, aliás, já denunciou vários casos, os chamados voos da alegria, onde jatinhos da FAB foram usados para transportar políticos e familiares em viagens de férias. Não faz muito tempo, o governador do Ceará, Cid Gomes, usou dinheiro público para alugar um jatinho que transportou a mulher, a sogra, assessores e amigos a Paris, durante o Carnaval. Um passeio ao outro lado do oceano financiado com o dinheiro do contribuinte. Quando descobertos, todos se apressam em desfiar desculpas esfarrapadas e garantir que os gastos serão ressarcidos. A pergunta que fazemos é simples: se a as viagens são particulares, a passeio, por que não podem fazer como todos os brasileiros em situações semelhantes, pagando suas despesas com recursos próprios e usando os voos comerciais? Tudo bem, já podemos antever a resposta: da outra forma é mais fácil, mais rápido e tem custo zero, para o próprio bolso, claro. A realidade das ruas está buscando mudar comportamentos como esse. Até porque são anos e anos de abuso, de impunidade. Então, está mais do que hora de quem se diz representante do povo entender qual é o seu papel daqui pra frente. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário
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