Conforme Caetano não pode falar mal de Lula. E no fundo eu acho uma sacanagem que falem. O cara acabou com a fome, deu curso superior para todo mundo... blá, blá, blá. Afinal é O Cara, que inclusive vai acabar com o conflito no Oriente Médio. Não tem mais o que fazer aqui, fará mundo a fora. Alguém pode dizer, e esta tragédia urbana com o crack acabando com toda uma geração de crianças? Isto é invenção desta imprensa golpista querendo criar fatos negativos. Não falando mal, vejam bem, este silêncio sobre a estória que ele, O Cara tentou subjugar (palavra que entrou na moda com o caso, assim como genitália entra em todo carnaval) um rapaz quando passou trinta dias na cadeia está, principalmente, engraçada. A turma não pode comentar, então silencia por conta de também não poder defender. Muito grosseira esta notícia. Um senhor correndo atrás de um menino na cadeia tentando cometer um estrupo. Coisa nojenta. Porque, por exemplo, não usar aquela saída de João Saldanha quando alguém falava que o jogador tal que ele gostava bebia muito e era cabeludo? Não me interessa, não quero ele para casar com minha filha, quero o jogando no meu time, saia assim pela tangente o João defendendo, por exemplo, Paulo Cezar Caju por cair nas baladas. Como só pode elogiar e eu por obrigação ao meu partido não posso fazê-lo trato de uma grande novidade que está surgindo na política. A questão do Partido Pirata. Assim como o Partido Verde foi a grande novidade da década de 90, este será desta. São partidos que defendem uma globalização das leis para facilitar a informação, vamos dizer, despatenteá-la. Derrubar os direitos autorais, patentes, descriminalizar compartimento de arquivos, promover o uso de software livres etc. Acesso a internet para todos gratuitamente e a rede sem qualquer controle. Defendem a privacidade tanto virtual como real. Uma plataforma onde mistura anarquismo, socialismo e liberalismo. Os dois primeiros até que já andaram juntos. Já o terceiro neste caldeirão.... Nascem com uma contradição, acho eu, porque ao defenderem o direito total à privacidade vão frontalmente contra ao combate a um efeito colateral da modernidade que é a degradação da vida urbana e o terrorismo. Obviamente coisas que não têm no Brasil porque Nosso Guia acabou com tudo de ruim por aqui. Não existe forma de combater estes dois males sem o controle da movimentação das pessoas entre cidades, países e continentes. As cidades hoje estão totalmente monitoradas, em Londres já é uma câmara para cada dez pessoas. Passar por um controle de aeroporto na Europa está um Deus nos acuda. Está em todos os países da Europa, o Partido Pirata, e aqui também. O daqui tem site e já realizou um congresso. Agora em setembro fez 2% de votos na Alemanha e nas cidades universitárias chegou a 10%. Na Suécia, onde surgiu, teve 200 mil votos e elegeu dois deputados para o parlamento europeu, 7,1% da bancada sueca. São as iniciativas que começam surgir diante do vácuo que a política vem deixando com a timidez e falta de solução para os grandes problemas que a modernidade nos trouxe. A depressão se transforma na doença do século. A taxa de suicídio cresce assustadoramente no mundo. Na França virou caso de saúde pública agora na última crise. A desintegração familiar, a crise da escola presencial, a religião desintegrada, o caos urbano somatizando o caso das drogas, o trânsito refletindo o desespero da indústria automobilística no seu ocaso etc, estão colocando novos dilemas que a política tradicional na está dando respostas. Inicialmente se pensou que poderíamos ter uma judicialização da política, ou seja, o judiciário assumindo papel relevante. Surgido na Inglaterra, está tese parece fragilizada. Não precisamos ir longe. Toda vez que o judiciário intervém na questão política por aqui o faz pautado pelos partidos tradicionais. Acho que esta iniciativa mais que ser uma mudança de eixo, pode sinalizar para os grandes partidos que as grandes questões mudaram. Aliás, foi desta forma que os verdes mudaram a agenda política na Europa. * PAULO RONAN é economista
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