ARTIGO
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012, 21h:05
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OLYNTHO FILHO
Um realizador de sonhos
Dizem que os padres são eternos e que as obras que agradam a Deus, não podem ser esquecidas. Razões suficientes para quebrarmos o silêncio de meio século de existência do Padre Wanir Delfino César, e realçar o seu trabalho cristão em prol dos necessitados e da educação. Em sua missão de grande alcance social e evangelizadora, a escolha recaiu em um bairro localizado geograficamente na periferia, denominado Terceiro, por se pobre, populoso, desassistido. Ressaltar as qualidades deste sacerdote, o advogado e intelectual, professor Benedito Pedro Dorileo, já o fez com muita propriedade, restando-nos realçar alguns detalhes de sua meritória obra. Como pessoa era determinada, de personalidade inquebrantável e orgulhava-se de sua cuiabanidade. Para desenvolver o seu mister, necessitava munir-se de um instrumento da comunicação e, na época nada mais próprio que a utilização de um canal de emissora de rádio, pois, ainda, não dispúnhamos da televisão. Neste afã, criou a Sociedade Rádio Educadora de Mato Grosso que passou a ser arrendatária da Rádio Cultura de Cuiabá, até então, em nome de terceiros. Com o passar dos anos o Padre Wanir, foi adquirindo as cotas parte de todos eles, assenhoreando-se legalmente da concessão da emissora. Foi o primeiro passo, dentre muitos outros que foram dados, até atingir o vértice da escalada. Era como ele dizia: A natureza não dá saltos. Adotou o slogan: Rádio Cultura de Cuiabá, emissora dos grandes acontecimentos, promovendo a integração do oeste no progresso nacional. Buscava com isso despertar a consciência em torno dos problemas que afetam a Amazônia e sua ocupação de interesse de todos nós, dada perspectiva de a emissora atingir todo o território nacional, haja vista possuir, além de ondas médias, a faixa tropical de maior alcance. No campo educacional, conseguiu implantar o Projeto Minerva, do Ministério da Educação e Cultura, programa de Educação de Base, com conteúdo didático do MEC, consistente em aulas transmitidas pela Rádio Cultura como polo irradiador, retransmitidas pelas demais emissoras de rádio, por determinação oficial. Inaugurou-se uma nova etapa que veio selar um compromisso político educativo e social com a sociedade. Com parcos recursos, sem ajuda oficial, adquiriu todo maquinário de costura pra o Clube de Mães do bairro, além de um consultório odontológico. Construiu junto às barrancas do rio Cuiabá, uma Igreja que veio a ser o referencial da fé cristã, fornecendo àquela população, não só o pão material, mas o alimento eucarístico. Com espírito idealista, identificou-se com essa realidade, tematizando essa problemática e a condição de como erradicá-la ou minorá-la. Utilizando uma linguagem radiofônica, diríamos que ele fez do microfone o seu púlpito para defesa das causas nobres, sintonizado com as causas sociais e na frequência do trabalho direcionado em prol dos carentes. No aspecto da radiofonia, o destaque maior era para o setor de radiojornalismo, principalmente com relação as reportagens externas, através de aparelhagem volante de frequência modulada, onde eu tive a oportunidade de entrevistar, com exclusividade, o então presidente revolucionário Costa e Silva, quando descia as escadas do avião presidencial no aeroporto Marechal Rondon, em visita a Capital mato-grossense. Padre Wanir consagrou sua vida a serviço, não só na parte assistencial, educativa, como ao rádio cuiabano. Ele perfilava o pensamento do Padre Leon Dehon: Nunca ficar fechado em si, mas ir de encontro ao povo. Forjou novos valores para a sociedade. Trocou de pátria em 13 de julho de 1972, por determinação divina. Carregou sua bandeira de luta, desfraldada em favor dos mais pobres e que tremula impulsionada pelo vento dos céus. * OLYNTHO FILHO, jornalista e advogado