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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 07 de Junho de 2014, 13h:46

GUSTAVO OLIVEIRA

Um país de craques

O nome dela é Maria da Graça Costa Penna Burgos, uma senhora de 68 anos que não precisa mais que um violão e a sua voz para encantar uma platéia. E que voz! “Eu Vim da Bahia”, de Gilberto Gil, dá início a uma noite que tem Dorival Caymmi, Ari Barroso, Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Caetano Veloso e Tom Jobim. A síntese do melhor do cancioneiro nacional desfilando naquela voz, que segundo Caetano Veloso é sua vida, seu segredo e sua revelação. É a luz escondida, sua bússula e desorientação. Mais que tudo é uma voz precisa. Quando o show termina, com a obra-prima de Ari Barroso, “Aquarela do Brasil”, chega-se à conclusão de que um país que é capaz de produzir tantos talentos assim, se não der certo não será por falta de inteligência e criatividade. A propósito, o show foi sexta-feira em Cuiabá - na nova casa de espetáculo Musiva - e esta senhora é conhecida com Gal Costa ou simplesmente Gal. *** Meu craque da Copa de 2014 já está escolhido, antes mesmo de ver como se sairão Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. Ele também vai entrar em campo, vai chutar a bola, talvez até vista a camisa brasileira, embora tenha múltiplas nacionalidades. Não é um jogador conhecido. Nem é um jogador. Nem é uma pessoa. Atende pelo nome científico e um tanto esquisito de Exoesqueleto. Trata-se, na verdade, de um equipamento eletrônico que está sendo desenvolvido para possibilitar a um paraplégico caminhar a fazer movimentos de forma independente, ao comando do próprio pensamento. Se tudo der certo, será um golaço capaz de transformar a questionada Copa brasileira num marco da história da ciência. O Felipão desse empreendimento é o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que comanda uma equipe de cerca de cem cientistas americanos, europeus e brasileiros no projeto Andar de Novo, desenvolvido em parceria entre a universidade norte-americana Duke e instituições da Suíça, da Alemanha e do Brasil. Em síntese, a experiência consiste na integração do cérebro humano com os mecanismos robotizados, de forma que uma pessoa impossibilitada de andar possa equilibrar-se sozinha, caminhar e até mesmo chutar uma bola. O homem-robô está sendo preparado para dar o pontapé inicial do jogo de abertura da Copa, entre Brasil e Croácia. * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do DIÁRIO e escreve nesta coluna aos domingos

Edição EDIÇÃO 16969




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