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ARTIGO
Sexta-feira, 06 de Março de 2009, 20h:21

PEDRO LIMA

Um grito de basta

A entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, ao que parece, está despertando a consciência da nação. A revista Veja, que ao longo da sua história tem sido abnegada em denunciar com coragem, independência e competência as mazelas da administração pública, presta um grande serviço à nação ao mostrar mais uma vez a sujeira que se varre por baixo do tapete. Darcy Ribeiro, em um dos seus livros, dizia que o povo brasileiro perdeu a capacidade de se indignar. Povo cordeiro em sua maioria, ao não reagir nas urnas contra a ladroagem que se instalou no país, oficializou a corrupção. A corrupção está sendo aceita com naturalidade pela população que a cada eleição reelege ladrões conhecidos. Ao longo da história do mundo, sempre que a corrupção, a promiscuidade as orgias chegaram ao fundo do poço, surgiram vozes, a princípio isoladas, mas que num crescendo mobilizaram a sociedade forçando mudanças a bem da moralidade. Pela repercussão da entrevista do senador, ainda mais, das reportagens seguidas que Veja está fazendo e mostrando à população o nível, o grau de roubalheira que chegou e se instalou na nação, o povo acordou. O grito de basta de Jarbas está sendo repetido por cada brasileiro sério, digno, trabalhador e que cumpre os seus deveres com a pátria. Esposo um ponto de vista de que não basta uma reforma política se esta não for feita com honestidade de princípios. O povo não deve aceitar nenhum dispositivo que beneficie os atuais detentores de mandatos. Ou seja, legislar em causa própria, tais como prorrogação de mandatos e/ou listas fechadas que garantam eleição de caciques dos partidos. Uma emenda constitucional com natureza de cláusula pétrea que estabeleça que qualquer mudança na legislação eleitoral só entre em vigor para os mandatos seguintes. Outra medida a ser tomada para o bem da moralidade no combate à corrupção é criar o orçamento impositivo que já existe nos países sérios. O orçamento é, hoje, no Brasil uma das maiores – se não a maior – fonte de corrupção do país. Parlamentares que deveriam estar fiscalizando o executivo e legislando se transformaram em corretores das verbas públicas, com gordas comissões e encarecimento das obras. Terá que haver uma mudança na legislação eleitoral em que todos os partidos sejam obrigados a lançar candidatos no primeiro turno. Tal medida acabaria com esses partidos cheios de malandros que vivem do aluguel de siglas, inclusive a venda de horário eleitoral. Eu pergunto ao eleitor: há algum sentido lógico um partido que tem a maior bancada no congresso não lançar candidato a presidente da República? Não, a não ser a rota certa da corrupção, uma empresa voltada para negócios escusos. A corrupção ficou tão banalizada, a coisa chegou a tal grau de prostituição, que quando o ministro da saúde - que é do PMDB - fez uma séria acusação de corrupção à diretoria de um órgão hierarquicamente subordinado ao ministério, ao invés de se apurar e punir o PMDB, pediu-se a cabeça do ministro. Aprovar uma emenda constitucional vedando a repetição de eleição para as mesas diretoras do senado, câmara dos deputados, assembléias Legislativas e câmaras municipais. Não basta a vedação para o mesmo cargo, está provado que não funciona, formam-se dobradinhas que transformam algumas assembléias em capitanias hereditárias. Candidatos que respondem a processos, uma vez eleitos, somente serão diplomados após o trânsito em julgado do processo em caso de absolvição. Com essa justiça lenta que nós temos e mais a imunidade parlamentar, tem gente que só vai responder pelos seus crimes no dia do juízo final. Todavia, a grande reforma política e moral tem que ser feita pelo eleitor. O eleitor, se quiser, pode banir os ladrões da vida pública brasileira. Quando se vê um tatu em cima do pau é porque alguém o colocou lá. Eleitor que vota em político desonesto é desonesto igual. * PEDRO LIMA é analista político e advogado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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