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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 07 de Fevereiro de 2009, 13h:50

GUSTAVO OLIVEIRA

Um amor no fim do mundo

Fascinado pelo esplendor da Era de Ouro de Hollywood, Baz Luhrmann quis homenagear o cinemão clássico com Austrália (2008). O resultado do filme estrelado por Nicole Kidman e Hugh Jackman, no entanto, não vai além de um pretensioso cartão-postal do país continental com intermináveis 165 minutos de duração. O diretor de filmes musicais inspirados como Romeu + Julieta (1996) realizou seu projeto mais ambicioso no épico de 130 milhões de dólares que esta em cartaz em Cuiabá. Em uma espécie de ode a seu país natal, Luhrmann escalou dois astros conterrâneos para protagonizarem Austrália: Hugh Jackman e Nicole Kidman – a atriz, que trabalhou com o cineasta antes em Moulin Rouge (2001), na verdade nasceu no Havaí, mas cresceu no país dos cangurus. Na história criada por Luhrmann, Nicole interpreta lady Sarah Ashley, arrogante aristocrata inglesa que decide viajar até a longínqua Austrália às vésperas da II Guerra atrás do marido supostamente infiel. A nobre dama é recebida no desértico território por um empregado do marido, um vaqueiro rude e solitário chamado Capataz – isso mesmo, o personagem de Jackman não tem nome... Chegando em sua propriedade, Sarah encontra o marido morto e a fazenda em péssimo estado. A patroa decide então reerguer o local e levar o gado até o porto a fim de vendê-lo para o exército e vencer uma concorrência contra o malvado barão da carne King Carney (Bryan Brown). Para tanto, Sarah precisa contar com a ajuda do xucro capataz, digo, Capataz – e você adivinhou: a inicial ojeriza mútua acaba se transformando em paixão tórrida... A história toda é narrada por Nullah (Brandon Walters), garoto mestiço dividido entre o mundo dos brancos e dos aborígines e filho enjeitado de um dos mais ridículos vilões do cinema dos últimos tempos, o pérfido vaqueiro Neil Fletcher (David Wenham). Se em seus títulos anteriores Luhrmann lidava com ironia e autoconsciência com os clichês do cinema comercial e com a estética kitsch, em Austrália ele simplesmente sucumbe a essas influências, restringindo-se a brincar talentosamente com as citações apenas nos episódios iniciais. No resto do tempo, porém, Austrália é apenas uma pretensiosa reprodução de lugares-comuns desgastados pelo tempo, tirados de superproduções como ... E o Vento Levou (1939). GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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