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ARTIGO
Sexta-feira, 05 de Junho de 2009, 21h:15

PEDRO LIMA

Tributo ao Orione

Justiça se faça ao governador Blairo Maggi que, com muita competência, cumpriu o dever de casa no processo da escolha de Cuiabá como uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. O governador, como também sua equipe de governo, trabalhou muito bem. E o que é mais importante, a sua credibilidade como gestor foi preponderante nessa aposta de futuro que tanto a Fifa como a CBF fizeram ao escolher Cuiabá. Foi bastante oportuno - e por que não dizer uma feliz coincidência - que a prefeitura de Cuiabá tenha nesse momento como seu chefe do executivo um prefeito, que pelo seu trabalho – goza de bastante conceito como administrador sério e competente como Wilson Santos. Na verdade, essa escolha, antes de tudo, foi um voto de confiança ao prefeito bem como ao governador. Pois que, ao contrário de Campo Grande que já tem quase tudo, em Cuiabá está tudo por fazer. A grande verdade e nós, cuiabanos e mato-grossenses temos que admitir, é que num processo normal de escolha, Campo Grande estaria muito à nossa frente. É uma cidade bem planejada, com uma topografia que ajuda, dotada de excelente infra-estrutura, com mais condições de acesso e escoamento de público ao estádio, com muito mais facilidade de se garantir segurança aos turistas, fato este que valoriza, portanto, a escolha de Cuiabá. Além do que, vencer Campo Grande tem um gostinho muito especial. Desde a época do Mato Grosso uno, o pessoal do Sul sempre nos olhou com ar de superioridade. Entendiam eles, - do Sul – que eram a locomotiva e nós do Norte éramos um vagão pesado que eles tinham que puxar. Haja vista que a divisão foi encarada tanto de lá como de cá com a maior naturalidade, pois que, somente oficializou o que já havia de fato. Há que se reconhecer o trabalho dos nossos parlamentares seja a bancada federal, seja a estadual, bem como as forças vivas de Cuiabá, com destaque todo especial para a imprensa da nossa capital que realizou um excelente trabalho. Ainda mais com a participação da população que se fez presente em todos os momentos. Deve ter muita gente devendo promessas feitas a São Benedito. É preciso considerar, no entanto, que Campo Grande – como a crônica esportiva nacional divulgou – fez um trabalho muito bom também. Tanto o governador do Mato Grosso do Sul como o prefeito de Campo Grande e as bancadas parlamentares envidaram todo esforço possível para ganhar essa parada. A grande verdade é que foi uma briga parelha. Cuiabá, como todas as cidades de origem garimpeira, tem uma topografia que dificulta a administração. Com o desenvolvimento acelerado a nossa capital se tornou, também pela sua posição geográfica, na ponta de lança para a ocupação da Amazônia. Aumentaram os problemas e se torna cada vez mais um verdadeiro desafio administrar a nossa capital. Qualquer pequeno acidente, ou carga e descarga em horário comercial já é o suficiente para causar o maior transtorno no transito. Um processo de modernização de Cuiabá, com a construção de vários viadutos, pistas de rolamento rápido, ou seja, ações com vistas a melhorar as condições de habitabilidade, custa um dinheiro que a prefeitura não tem. Daí, mais do que meia dúzia de jogos de seleções, as obras que serão realizadas, muito mais do que adequar Cuiabá para sediar alguns jogos da copa, significam realmente a sorte grande para a população cuiabana. No entanto, a imprensa cuiabana - com exceção do Roberto França – cometeu uma grande falha ao não divulgar o papel decisivo do Carlos Orione, Presidente da Federação, na escolha de Cuiabá. Orione tem uma relação de amizade e companheirismo de longa data com Ricardo Teixeira e João Havelange. Tal fato teve um peso muito grande na definição da escolha. Necessário se faz, portanto, essa reparação, porque tal injustiça tirou um pouco do brilho da nossa vitória sobre Campo Grande. Na qualidade de araguaiense/cuiabano rendo minhas homenagens e o meu reconhecimento ao Carlos Orione. * PEDRO LIMA é analista político e advogado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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