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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 10 de Fevereiro de 2007, 13h:12

RENATO CASAGRANDE

Terra em transe

O homem é uma espécie que pode entrar na lista dos animais em extinção. Esta é a mensagem mais emblemática contida no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, divulgado recentemente, em Paris. Segundo o relatório, há uma concentração incalculável de gases na atmosfera da terra, como metano e dióxido de carbono, decorrência da queima de carvão, da agricultura, destruição das florestas tropicais e, sobretudo, da queima de petróleo e derivados. As previsões são de que, nos próximos cem anos, a temperatura da terra se elevará até quatro graus provocando mais calor, fortes tempestades, elevação das marés, inundações, secas. Especialistas calculam que o nível do mar poderá subir 59 centímetros até 2100, ameaçando as futuras gerações. É quase que um consenso entre os cientistas que o homem é o principal responsável pelo aquecimento global registrado nos últimos 50 anos. É importante o governo americano ter reconhecido que a ação humana está ameaçando a vida na terra. Não podemos esquecer que as indústrias americanas são responsáveis por um quarto da poluição do mundo e que elas sempre se negaram a assumir esse ônus em nome do “progresso”. Outros países desenvolvidos precisam reconhecer também a sua responsabilidade por este estado de coisas e apresentar soluções. O Brasil está empenhado em fazer a sua parte. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, diminuímos em 52% o desmatamento da Amazônia. Além disso, cerca de 45% da nossa matriz energética são de fontes renováveis. Temos ainda o Programa Nacional de Biocombustível que incentiva o consumo interno e a exportação de etanol e biodiesel, inclusive para os países mais ricos. No entanto, “as políticas são insuficientes”, conforme observou o professor Luiz Pinguelli Rosa em recente entrevista. Por isso, o Senado Federal aprovou proposta de minha autoria criando a Subcomissão do Aquecimento Global. A Subcomissão atuará no âmbito da Comissão de Meio Ambiente, promovendo um amplo debate sobre todos esses problemas e apresentando soluções. Vamos chamar ao debate autoridades e estudiosos do assunto. Fui convidado para representar o Senado Federal, na reunião do G-8 – grupo de paises mais ricos do mundo – mais os parlamentares dos 5 países em desenvolvimento – Brasil, China, Índia, México e África do Sul, em Washington, que discutirá, sobretudo, as questões ambientais. Será uma experiência muito importante e uma oportunidade de observar o que os outros países estão fazendo nesse sentido. Também vou defender um novo modelo de desenvolvimento que estabeleça um respeito contínuo ao meio ambiente e inclusão social. Nos livros de ciência e de história encontraremos as respostas para a extinção, por exemplo, dos dinossauros, entre outras espécies da fauna e da flora. Muito provavelmente foram vítimas de fenômenos naturais, alheios à ação do homem. Mas o que podemos tirar dessa lição é que, por um ou outro motivo, a natureza quando se vê agredida, reage de forma imprevisível e impõe limites à capacidade científica e tecnológica do homem de tentar controlá-la. * RENATO CASAGRANDE é líder do PSB no Senado da República

Edição EDIÇÃO 16968




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