ARTIGO
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009, 21h:46
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LORENZO FALCÃO
Sucuri no asfalto
Tem sucuri no asfalto. Atravessando a pista. E era domingo de sol e calor e eu rumava para o ensaio do coral do Sindicato dos Jornalistas, meu programa preferido domingueiro. Ia de carona com uma amiga e ali pelas imediações do Lua Morena e do Motel Segredos, eis que atravessando lentamente a pista uma sucuri tamanho médio, com os seus metro e meio pra dois metros, aproximadamente. Tava meio gordinha e parece que digeria lentamente um rango. Como tenho uma certa vivência no ambiente rural e conheço algo sobre a fauna e a flora locais vi que era uma sucuri, também conhecida como anaconda. Sei que trata-se de uma cobra com movimentos lentos, ainda mais fora dágua. Cheguei a sugerir à amiga que estacionasse o carro para que eu a puxasse pelo rabo e a retirasse da pista, onde fatalmente seria atropelada. O esquema seria imbicá-la de volta para um pequeno córrego que tem por ali, de onde ele devia ter vindo. Dentro do carro, uma resistência total aos meus apelos e ao meu projeto de salvar a cobra. De maneira que seguimos em frente e enquanto o carro se afastava eu olhava para trás preocupado com o destino do belo réptil. Para meu alívio, percebi que um carro parava no meio da pista e imagino que a situação tenha se resolvido pacificamente, sem mortos e feridos. Na volta do ensaio tive o cuidado de reparar no asfalto para ver se via marcas de sangue ou qualquer coisa assim e nada. Daí, deduzo que a sucuri continuou vivinha. Só não sei se ela foi pro Motel Segredos, ou pro Lua Morena. Mas essa história da sucuri me remete aos remotos tempos da minha infância, quando experimentava os primeiros anos da minha existência e passava sempre as férias no sítio de meus avós, em Nossa Senhora do Livramento. Lá, quando fazia alguma travessura ou estava muito inquieto, a saudosa vovó Mita entoava para mim uma canção que muito me assustava e que dizia assim: sucuri pega a gente no paredão. E eu quietava na hora, claro. Outra coisa que me remete à sucuri é a presença da comitiva da FIFA aqui em Cuiabá hoje. Fico imaginando a façanha que não seria se a sucuri atravessasse a pista bem na hora em que a comitiva estivesse torando o asfalto. Seria a glória, já pensou?! Uma cidade onde você ainda pode andar na rua e dar de cara com uma sucuri. Isso sim é que é pantanal, isso sim é que é representativo e que faria a cabeça da turma da FIFA, trazendo de uma vez por todas a Copa para Cuiabá. Enquanto Campo Grande tem Luiza Brunet e Carlos Alberto Torres, nós temos a sucuri. Se Campo Grande tem o Chico Santa Rita, nós temos o Comitê da Maldade. E ponto final. A Copa é nossa. Bom, tomara que sim!!! LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado