Acidentes acontecem todo dia, toda hora, em qualquer parte do mundo. São minutos, segundos que transformam a vida das pessoas e marcam, com a cruz da tristeza, famílias inteiras. Uns morrem biologicamente e os sobreviventes morrem psicologicamente, sentimentalmente. Mergulham no profundo poço da melancolia de vidas vazias. Todavia, quando os acidentes são anunciados com antecedência, passam a ser crimes. E é isto que vem acontecendo no Brasil. O acidente ocorrido com o avião da GOL mostrou a face oculta de um governo inoperante, irresponsável, cuja omissão, falta de decisão e coragem para enfrentar e resolver os problemas e os desafios está deixando a sociedade perplexa. Somente num país completamente desgovernado como o Brasil, que acontece de controladores do sistema de navegação aérea se verem estressados por acúmulo de trabalho e salário não condizentes com a responsabilidade de quem tem vidas e mais vidas em suas mãos. Contudo, se o acidente da GOL pegou a população de surpresa até pelo completo desconhecimento das mazelas e descaso a tragédia com o avião da TAM foi a crônica da morte anunciada. Deprime e entristece a absoluta falta de sensibilidade do governo Lula, via dos seus representantes, tais como Marta Suplicy, Ministra do Turismo, com a sua infeliz declaração: relaxa e goza, esqueceu-se de que era Ministra de Estado, comportando-se como sexóloga, sua primitiva profissão. Os gestos obscenos do ministro Marco Aurélio Garcia, pessoa de confiança do presidente Lula, num verdadeiro espetáculo mais condizente com um canal pornográfico, absolutamente impróprio para menores, agride a alma cristã do brasileiro. Seja de quem for a culpa, da empresa, por falta de manutenção permitindo que o avião voasse com defeito no sistema de reversão da turbina, falha operacional do comandante ou irresponsabilidade da Infraero por liberar a pista com risco de aquaplanagem, o sentimento que desperta é o de piedade cristã. A apuração da responsabilidade pela tragédia se faz necessário, visto que, já é chegada a hora de, neste país, as pessoas responderem pelos seus atos. Destarte, o fato de se presumir precipitadamente que a culpa é da empresa não cabe comemoração. E, muito menos, com gestos mais apropriados para cafajestes. Impensável para ministros de Estado em um país medianamente civilizado. Necessário se faz, doravante, que os meios de comunicação, toda vez que um ministro do governo Lula for dar entrevista, façam aquela advertência de costume em programas proibidos para menores. A grande verdade, contudo, é que, embora o caos aéreo esteja em evidência, o país vive o caos da saúde, da segurança, das rodovias, completa falência moral e incompetência na administração cuja corrupção é marca registrada. A grande e triste realidade é que o Brasil é uma grande aeronave, cujos passageiros são constituídos da população que, de repente, descobre que o piloto sumiu. * PEDRO LIMA é analista político e advogado
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