A respeito do artigo Justiceiros nazistas, publicado neste espaço na última terça-feira, recebi muitos e-mails, telefonemas e comentários, principalmente relatos de outros episódios de violência por parte de seguranças de casas noturnas de Cuiabá. Recebi dezenas de depoimentos sobre os métodos violentos dos seguranças. Contudo, publico dois e-mails que recebi em defesa da segurança em casas noturnas. O primeiro, de Elizeu de Freitas, do Café Cancun, cujos trechos reproduzo, e de Vilson Minossi, do Café Zagaia e do Transas Bar. Diz Eliseu: Como proprietário de uma casa noturna da capital, me sinto na obrigação de esclarecer que, em minha empresa, as coisas são bem diferentes. Nós temos um Plano de Segurança Orgânica, registrado na Polícia Federal que só permite a contratação de profissionais treinados em escolas homologadas pela mesma. Nenhum dos nossos funcionários trabalha como segurança, é policial de folga, nem freqüenta academias de luta e muito menos é semi-analfabeto. São pais de família que se matricularam em escolas especializadas onde se ensinam entre outras coisas, defesa pessoal, noções básicas de direito criminal, técnicas de atendimento ao cliente e habilidades com armas de fogo. Todos nossos seguranças possuem registro na carteira de trabalho e nenhum deles tem ficha criminal. A principal atribuição deles dentro da nossa casa é de garantir a integridade física dos freqüentadores. O que é de se lamentar, além, é claro, do que aconteceu com o estudante Ermenegildo Junior, é o fato de que, há uns vinte anos, as casas noturnas não precisavam de 16 ou 18 seguranças como utilizam hoje. Se você bem se lembra, elas normalmente só tinham dois porteiros na entrada, o que hoje seria insuficiente para garantir não o patrimônio das casas, mas sim a segurança de inúmeros jovens freqüentadores que só querem se divertir, e que são eventualmente ameaçados por uma minoria violenta. É o caso de se perguntar: Qual é a diferença do público que freqüenta as casas noturnas de hoje daquele que freqüentava a noite há vinte anos? Quando existe briga entre clientes dentro do meu estabelecimento, o procedimento previsto no nosso Plano de Contingências é separar, imobilizar e, na seqüência, solicitar apoio da Polícia Militar, registrar boletim de ocorrências e bloquear, no sistema, o acesso desses clientes novamente à casa. Generalizar e rotular é perigoso. Como dizer também que todos os jovens realmente aprontam. Bebem demais, se drogam, arranjam encrenca, compram brigas.... Não é verdade. Esses clientes existem, mas felizmente são minoria e temos encontrado meios legais de mantê-los afastados em benefício da maioria dos outros clientes, também jovens, mas trabalhadores honestos e respeitosos. De Vilson Minossi, extraio o trecho: Na grande maioria os funcionários desse setor não são pessoas despreparadas e analfabetas e loucas para aparecer. Solicito, mais uma vez, que você fale com as casas noturnas para obter as informações corretas, pois todos os nossos funcionários trabalham com carteira assinada e não recebem R$ 50,00 por noite e são dispensados sem mais", além de só serem admitidos após análise criteriosa do passado profissional e verificação de ficha pregressa junto aos órgãos competentes. É lamentável que os justos paguem pelos pecadores. Assim como existem clientes que não têm o comportamento aceito em sociedade, 99,99% são pessoas que saem à noite em busca de diversão e nunca, em tempo algum, sofreram qualquer tipo de repressão ou espancamento. Ficam os dois registros em respeito ao direito de resposta. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
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