ARTIGO
Terça-feira, 30 de Abril de 2013, 21h:13
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PAULO LEITE
Sobre a Copa DE 2014
Aos poucos a sociedade cuiabana vai se desencantando com a Copa do Mundo de 2014. O que era euforia e orgulho converte-se insofismavelmente em frustração e incerteza. O trânsito caótico, a falta de informações coerentes e as corriqueiras denúncias de corrupção curtiram uma nódoa no coração de nossa gente. Nossos contemporâneos olham para o horizonte, meio estupefatos com a morosidade para a concretização das obras necessárias para o torneio. O calendário avança inexorável em direção à data de abertura da competição, mas as construções parecem guiar-se por uma agenda particular e promíscua, alheia aos fatos. Cuiabá e Várzea Grande tornaram-se um valetão. Um buraco, no qual as esperanças de uma metrópole moderna vão sendo solapadas sem o menor cuidado. Desvios e atalhos não faltam. Mas, as autoridades recusam-se a prestar um serviço decente para a população. Não existem roteiros divulgados, sinalizações adequadas e muito menos orientação para os pobres motoristas. Guardas de trânsito e amarelinhos são material humano escasso nestes tempos de bloqueios e interdições. De fato, as autoridades estaduais e municipais miram apenas nas obras e esquecem-se completamente da população. Não são capazes de aliviar o desconforto dos transeuntes com o mínimo de consideração, propondo rotas alternativas, proibindo a circulação de carretas em ruas estreitas ou ainda fiscalizando a altura das cargas em ruelas de bairros. Resultado: fios elétricos, linhas telefônicas e cabos de TV são cortados e arrastados, deixando moradores às escuras e sem comunicação. Outro item que causa vergonha é o Aeroporto Marechal Rondon. As operações aeroportuárias da capital mato-grossense são verdadeiros desastres. Passageiros disputam lugar com malas, veículos e tratores num corredor a céu aberto, apenas delimitado por uma faixa azul. Enquanto isto, o ônibus para o transporte dos viajantes fica estacionado tranquilamente à espera de um milagre. Nosso aeroporto, dito internacional, não dispõe sequer de uma catraca para facilitar a locomoção de passageiros com deficiência motora, criando constrangimento e cenas medievais, com pessoas sendo carregadas em andores ou se arrastando pelas escadarias das aeronaves. Estamos preparados para a Copa do Mundo? Não!!! Principalmente, o governo estadual criou uma couraça em torno das informações relativas ao evento. Neste e em outros aspectos, a comunicação do governo chega a ser vexatória. Cada dia mais, o governador Silval Barbosa parece isolado. Está distante da realidade vivida pelo cidadão comum. E olha que nossa gente tem feito sacrifícios para honrar a realização deste evento internacional em Cuiabá. Sim, os sacrifícios são do povo. As glórias vão para os mandatários. Até o momento, a Copa do Mundo tem exigido esforços, abnegação e, sobretudo, tolerância dos mato-grossenses. Somos vítimas de um governo autista, que não consegue se localizar politicamente diante do momento histórico que vive nossa comunidade. Não basta abrir e tapar buracos, é preciso dar um sentido social e humano às obras: elas devem ser um legado; não uma maldição. * PAULO LEITE é jornalista e escritor