Há um tempo atrás, e põe tempo nisso, abordei aqui a questão do uso indevido das calçadas como espaço para o comércio, interferindo no ir e vir dos pedestres. À época, destacamos a necessidade de se intensificar a fiscalização e adotar medidas que coibissem a prática abusiva do uso indevido das calçadas. Na verdade foi só um lamento, pois ao longo dos anos fomos constatando que as reclamações se tornavam apenas palavras ao vento. Nada de providências. De lá pra cá nada mudou, as calçadas continuam sendo ocupadas indevidamente. Essa semana, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente notificou os ambulantes que estão instalados ao longo da avenida Getúlio Vargas para que deixem o local, tendo em vista a ocupação indevida das calçadas, já que muitos usam o espaço para colocarem mesas e cadeiras, como extensão de seus comércios. Nem é preciso dizer que a chiadeira foi geral, até porque boa parte desses comerciantes está na região há décadas, sem nunca terem sido incomodados, mesmo estando irregulares. A briga promete ser boa e longa, já que alguns vereadores decidiram intervir pelos comerciantes. Com certeza será necessário que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente encontre uma forma de adequar o uso das calçadas sem que os comerciantes percam o sustento de suas famílias. Será um trabalho árduo, pois ao longo de décadas nada foi feito nesse sentido, de forma que será preciso um estudo bem elaborado para que todos possam se adequar as mudanças. O pedestre precisa ter seu direito de ir vir respeitado, mas os pais de família também não podem ficar sem trabalho da noite para o dia. Não são apenas os donos de carrinhos de lanche que estão irregulares. Alguns lojistas também usam as calçadas para expor seus produtos e outros permitem que elas sejam transformadas em estacionamento, ou então como parte de seus estabelecimentos onde atendem clientes e executam serviços. Tudo isso precisa ser revisto, o quanto antes. É preciso que todos os envolvidos assumam as suas responsabilidades. Tudo bem, a situação não está nada fácil e muitos pais de família encontram no comércio ambulante a única forma de ganhar o sustento dos filhos. Mas não pode haver abuso e os lojistas tem que usar seu próprio estabelecimento para expor suas mercadorias. E mais, lugar de carro, com certeza, não é na calçada. TÂNA NARA MELO é editora de Opinião do Diário