ARTIGO
Terça-feira, 24 de Março de 2009, 20h:53
A
A
TÂNIA NARA MELO
Sem controle
Esta semana uma professora foi agredida por uma aluna de 15 anos em sala de aula e foi parar no hospital com traumatismo craniano. O caso aconteceu em uma escola pública do Rio Grande do Sul, mas é semelhante a muitos outros casos que vem ocorrendo em várias regiões do país. Semana passada, em uma cidade do interior paulista, outra professora também foi vítima de agressão cometida por um aluno de 13 anos que, apesar do ato de violência, continua frequentando as aulas normalmente como se nada tivesse acontecido. Os dois casos chamam a atenção, principalmente por envolverem adolescentes, e mostram que é preciso adotar providências antes que a situação se agrave ainda mais. Já faz um bom tempo que uma boa parcela dos professores brasileiros, não bastasse a baixa remuneração, também vem enfrentando o problema da violência nas escolas. Antes ela era registrada apenas na forma de insultos e ameaças, o que por si só já era grave. Hoje ela vai bem mais além, passando dos insultos às vias de fato. E pelo andar da carruagem está a um passo de ficar fora de controle. A impressão que se tem, ao nos depararmos com tanta violência, é que vivemos num mundo onde os valores parecem estar totalmente invertidos, onde respeito virou algo meio arcaico ou fora de moda. Os agressores são, em sua maioria, alunos problemáticos que passam de uma escola para outra sem que uma atitude mais séria seja adotada. Diante da inércia do Estado, que é lento na tomada de decisões para coibir esse tipo de violência, muitos professores _para evitar novos confrontos, e também para preservarem suas vidas_, mudam de escola ou até mesmo optam por mudar de profissão. O caso desses adolescentes problemáticos se assemelha a dos chamados pitboys, aqueles jovens de classe média e média alta que costumam freqüentar bares e boates com a intenção de brigar, e que agridem com violência aqueles que cruzam seu caminho. Assim como eles, esses adolescentes que tem como alvo seus professores, necessitam ajuda psicológica. No entanto, mais do que isso é preciso que eles deixem de ter a proteção velada dos pais e passem a responder legalmente por seus atos. Do contrário eles vão continuar fora de controle e ainda farão muitas vítimas. TÂNIA NARA MELO é jornalista