Depois de um dia recheado por Carybé e Jodorowsky a única coisa que me vem a cabeça é a vida em seu sentido mais metafísico. Carybé ilustra o livro Compadre de Ogun que você encontra no DC Ilustrado de hoje e Jodorowsky você conhecerá um pouco mais amanhã, no domingo. O Compadre de Ogun mostra o sincretismo religioso brasileiro. Depois de pedir a benção da mãe de santo e ser escolhido por Ogun para compadre o personagem principal escolhe a igreja onde o padre é descendente de africano para batizar o seu filho. O romance é de Jorge Amado e as ilustrações são um espetáculo que esteticamente apalpam as nossas pupilas como em uma massagem carinhosa. Movimento e cores básicas. Linhas, traços finos e grossos harmonizam as telas. Alejandro Jodorowsky, o Ojo Doro, ou olho de ouro como ele afirma é um senhor de oitenta anos que parece ter a vivacidade dos trinta e a experiência dos duzentos, se é que alguém já chegou lá em apenas uma vida. Descendente de judeu, seu pai teria atravessado a cordilheira dos Andes de mula com a Tora nas mãos, nasceu no Chile (1929). Este senhor deu uma entrevista há um ano e meio mais ou menos (TRIP de fevereiro de 2008) onde escracha as drogas, o álcool, a igreja, a política, o cinema americano e todas as religiões em si. Acusa o cinema de estar infectado pelo teatro, com excessos de diálogo. Criador do termo e da prática psicomágica, é adepto da performance e da arte como catarse libertadora do ser humano. Esculhambou com as formas de parto que não a normal, especialmente aquela na água que pretensamente aliviaria o choque do nascimento ao bebê. Não dá para falar tudo, mas amanhã com a matéria no DC Ilustrado e durante a semana que vem (2 a 5 de setembro) na Mostra Jodorowsky que o SESC Arsenal traz a Cuiabá as pessoas que conseguirem acompanhar provavelmente estarão assim como eu, de queixo caído e olhos esbugalhados diante da perplexidade que aparenta desencavar do inconsciente humano e exibir sem pudor em filmes, HQs, livros, peças teatrais e performances. Deixo registrado aqui a sua primeira lição de Como fazer cinema: 1ª Lição: Sentar-se do amanhecer ao anoitecer na frente de uma árvore sentindo a luz. Voltar por sete dias seguidos e fazer o mesmo. Na 2ª, ele instiga, volte à noite e com uma lanterna ilumine a árvore por infinitos pontos distintos. São dez lições e fica cada vez melhor. Vá ao SESC e pegue já o seu livreto iniciático. CLAUDIO DE OLIVEIRA é repórter do DC Ilustrado, mestrando em cultura contemporânea e tem um blog: www.ponteseportas.blogspot.com
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