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ARTIGO
Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012, 21h:10

CAROLINE RODRIGUES

Risco ao setor financeiro

Maluco, doido, sem um pino da cabeça ou quarta-feira. Com esses nomes definimos as pessoas que não têm o juízo perfeito. Estou escrevendo alguns casos sobre personagens assim no meu blog e guardei um para publicar no jornal. Em uma cidade do interior de Mato Grosso existe um rapaz com pouco mais de 30 anos e que sempre se veste com calça social e camisa. As peças costumam ser bem passadas, o que mostra o capricho da família com a qual ele mora. Todos os dias, ele passa pela rodoviária e também supermercados. O objetivo dele é carregar a bagagem ou sacola das pessoas. Os moradores da cidade aceitam logo o agrado e como sabem que o jovem não gosta de ser pago com dinheiro, sempre oferecem um café ou um pedaço de bolo. Devido à gentileza, conquistou o apelido de “amigão”. Quando chegava alguém diferente na região, sempre era avisado pelos moradores para ter paciência e logo passava a ter carinho por “amigão”. O problema foi quando um carro-forte parou na frente do banco para abastecer os caixas-eletrônicos. “Amigão” viu os malotes e correu em direção ao segurança. Colocou a mão no malote e os guardas reagiram quase que instantaneamente. Várias escopetas foram apontadas para o rosto do rapaz, que ficou no chão, mas segurando firme o malote. Os moradores que estavam nas proximidades, bem como os bancários, correram para salvar “amigão”, que foi parar na delegacia. Ele ainda tentou argumentar com o delegado, mas não teve jeito. Foi obrigado a parar de ajudar as pessoas. Assim, sem ter o que fazer, sentou na praça e ficou observando o movimento. Ele viu as pessoas entrando e saindo a agência e logo resolveu entrar. Ele deu a carteira de identidade para a atendente e pediu um cartão. A mulher procurou em todos os cadastros e todas as gavetas, mas não encontrou. Então, resolveu pedir ajuda aos demais funcionários e também ao gerente, mas nenhum deles conseguiu localizar o cartão. Preocupado, o gerente resolveu perguntar quando ele tinha aberto a conta e “amigão” respondeu que não abriu. Porém, estava na praça e via que todos chegavam à mesa, mostravam a identidade e pegavam o cartão. Depois, seguiam para caixa-eletrônico e pegavam dinheiro. “Se todo mundo pode pegar o dinheiro, eu também quero”. Sem aceitar outras explicações, “amigão” começou um barraco, que reuniu seguranças e policiais. O resultado foi voltar à delegacia. Para resolver definitivamente o problema, o delegado decidiu que “amigão” devia voltar a carregar sacolas, porque a atividades era menos arriscada, no final das contas. CAROLINE RODRIGUES é editora de Cidades do Diário

Edição EDIÇÃO 16960




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