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ARTIGO
Sexta-feira, 25 de Julho de 2014, 20h:37

MARCELO FERRAZ

Regime aristocrático

Nem durante a Idade Média o povo pagava tantos impostos como paga aqui em Mato Grosso, sem, em contrapartida, receber um retorno eficiente das obrigações sociais do Estado. Sim, hoje o Estado mato-grossense tem uma política absolutista que está sendo articulosamente moldada para manter as regalias dos “neofeudalistas”. Ou seja, a elite da elite burguesa. Esta mesma que recebe inúmeras vantagens do Governo, e em troca oferece todo apoio para eleger o máximo de políticos no Estado. PMDB, PR, PSD e o PT praticamente rifaram a máquina pública e hoje, ilegitimamente, mantêm um regime corporativista. Deste modo, está claríssimo o modelo aristocrático adotado pela política fiscal praticada pela Secretaria de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz). Nos últimos mandatos, ano após ano, bilhões de reais foram sendo divididos (isenção fiscal, licitações e cargos) entre um pequeno grupo de empresas que, de alguma forma escusa, estavam ligadas ao grupo político, que por sua vez há mais de 11 anos vêm impondo uma carga fiscal massacrante e injusta aos cidadãos mato-grossenses. É um absurdo o modelo econômico implementado pelo governo do Estado. Enquanto os trabalhadores, a maioria dos empresários e os pequenos produtores rurais derramam o suor para sustentar a máscara do equilíbrio fiscal, mantendo com isso o Estado aparentemente funcionando, os pouquíssimos megaempresários deitam e rolam com os incentivos fiscais concedidos pelo mesmo grupo político. Grupo que está por trás da política selvagem deste mesmo governo. Aliás, isso não é novidade para ninguém, pois a operação Ararath, desencadeada pela Polícia Federal, revelou com detalhes a suposta lavagem de dinheiro realizada por esses suspeitos atrelados ao governo atual. Governo este fundamentado na troca de favores entre empresários lobistas e políticos, que por sua vez fazem parte do mesmo balaio de gato. Mas, a Assembleia Legislativa (AL-MT), o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público do Estado (MPE), todo esse tempo, fizeram a parte deles, pois durante quase dois mandatos as contas do Executivo Estadual foram aprovadas e legalizadas sem ressalvas. Porém, o que povo mato-grossense recebeu em troca para manter um grupo aristocrático especializado em enriquecimento ilícito no poder? Estradas esburacadas, escolas depredadas, saúde falida, insegurança pública e um estádio de quase um bilhão de reais (Arena Pantanal) para a sociedade ter que custear daqui para frente com mais impostos. Além disso, o que nós, meros mortais da suserania e vassalagem, vamos receber em troca deste Governo… É o V.L.I.T (Veículo Leve Inexistente Sobre o Trilho) e uma dívida bilionária para as futuras gerações arcarem. Portanto, vejo que passou da hora dos mato-grossenses abrirem os olhos para sair da caverna do feudalismo e assim adquirir mais consciência política. Mais quatro anos deste mesmo grupo político ninguém vai aguentar!!! *MARCELO FERRAZ é escritor e jornalista.

Edição EDIÇÃO 16964




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