Dizem, principalmente aqueles que se autodenominam de machões, que quem gosta de coisa antiga é museu. Em parte, é verdade. Os museus adotam, até porque justifica a sua existência. Dizem, também, que recordar é sofrer duas vezes. Mas, quanto aos machões, sabemos que tudo não passa de retórica ou vergonha daquilo que porventura tenham feito no passado. O que não é o nosso caso. Recordar é viver! Recordar é relembrar os bons e maus momentos que passamos. Dos ruins, analisar e evitar que se repitam no presente e no futuro. Dos bons, perpetuá-los e relembrar os momentos felizes que passamos. Bem, toda essa entrada um tanto melodramática é para falar de uma coisa, ou um sentimento da alma, em que até mesmo os brutos choram: a música. Sempre demos muito valor à música antiga. Até por que foram elas que embalaram a nossa juventude. Não importa o ritmo ou a categoria. Sertaneja, sertanejo universitário, que acreditamos tratar-se de um bem- sucedido marketing comercial, para afastar um certo preconceito da palavra (sertaneja/caipira), e outros. Nós, particularmente, gostamos das músicas internacionais antigas, e das nacionais também, carinhosamente chamadas de bregas. E foi num destes fins de semana que descobrimos, ou melhor, prestamos mais atenção, que na década de 70 as grandes canções que embalaram nossos sonhos, nossos romances, eram cantadas ou compostas por brasileiros. E entre eles, nomes famosos, como Fábio Júnior (Mark Davis), Jessé (Tony Stevens), Ralf, da dupla Chrystian & Ralf (Don Elliot), o Chrystian da mesma dupla (Chrystian), Maurício Alberto (Morris Albert), assim como Carlos Alberto de Souza (Paul Denver), da memorável Rain and memories; Manoel F. do Lago Neto (Green Michael, da também memorável Just Imagine; José Carlos Gonzales (Dave Maclean) Me and You; Hélio Santisben Grupo Pholhas She made me cry; Hélio Costa Manso (Steve MacLean) True love; Jean Carlo...(Edward Cliff) Nights of september; as Harmony Cats, do tempo da discoteca e muitos outros. Mais nomes podem ser encontrados no site www.autosenna.com. Portanto, pelo menos no que diz respeito à parte musical, recordar é viver. Os momentos negros e de dificuldades também são assimilados por nossa imaginação e, consequentemente, de forma mais reservada. Ou seja, não merecem muita atenção. Servem apenas para nos lembrar de que somos humanos e como tais, simples mortais. Cabe a nós, a separação do trigo do joio e alternar bons momentos tanto no passado, como no futuro, e prepararmos o espírito para o que vier. Quem plantou e planta flores, certamente colherá flores. Recordar é viver! *ROSIVALDO SENNA é jornalista em Cuiabá
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