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ARTIGO
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010, 19h:22

AUREMÁCIO CARVALHO

Racismo no Brasil

Discutir racismo no Brasil é, no mínimo, “chover no molhado”: Qual é o antepassado do “verdadeiro brasileiro”? Indígena (os primeiros povos a habitar a terra do ‘Pau Brasil’)? Os negros (que foram trazidos para trabalhar como escravos e, ainda, serviram de mercadoria para seus senhores)? Os portugueses (que detém o status de descobridores desta terra)? Porém, pode ser a miscigenação de todas as raças, como vemos hoje? Afinal de contas, aqui se instalaram povos de todos os lugares do mundo. Portugueses, espanhóis, alemães, franceses, japoneses, árabes e, ultimamente, peruanos, bolivianos, paraguaios, uruguaios e até argentinos vivem neste país que hospitaleiro até demais com os estrangeiros e, muitas vezes, hostil com sua população. O que existe no Brasil é muito racismo camuflado e que todo mundo faz questão de não enxergar. Os alvos, mesmo que inconscientemente, sempre são os mesmos: negros, mestiços, nordestinos, pessoas fora do padrão da moda, ou seja, obesos, magrelas, altos demais, baixos ou anões e, principalmente, os mais pobres sofrem com a discriminação e não conseguem emprego, estudo, dignidade e respeito. Estes não têm vez na sociedade brasileira! Para exemplificar isso, basta visitar as faculdades, os pontos de encontro (como bares, danceterias, teatros e cinemas) ou, até mesmo, verificar o revés da história, ou seja, favelas e presídios. Claramente, nesses lugares, este racismo hipócrita e camuflado vem à tona e causa espanto em muitas pessoas que não ‘querem’ encarar a verdade dos fatos. Para compreendermos o processo de formação da sociedade brasileira, é preciso entender que o racismo foi uma ideologia fundamental para a manutenção do Estado que se pretendia formar. Atualmente, o acesso à universidade pública, por exemplo, se dá por meio de um processo de seleção no qual a maior parte dos aprovados são estudantes egressos de escolas privadas ou que possuem recursos necessários para o custeio de cursos preparatórios ao exame. Como sabemos, a população negra é maioria da população pobre e/ou miserável de nosso país, o que cria uma dinâmica de inversão proporcional no processo de inclusão no ensino superior público no Brasil.(não passa de 5% do alunado). Defender a presença cada vez maior e efetiva de negros e negras na universidade pública brasileira, é positiva, imprescindível e estratégica para combater o racismo e fortalecer o processo democrático. O sistema educacional, políticas curriculares e bases teóricas que fundamentam a produção cientifica no Brasil são construídas a partir de bases e referências eurocentradas, não respeitando a diversidade étnica que compõe a realidade da população brasileira; isto é, não ocorre processo colonialista sem racismo...é preciso discutir o assunto. Estamos iniciando essa discussão em Mato Grosso com vistas a criar a Ouvidoria Permanente em Defesa da Igualdade Racial. Participe. [email protected] * AUREMÁCIO CARVALHO – Diretor da OCIP'S - Organização de Controle e Inspeção das Policias dos Países de Língua Portuguesa e-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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