A cada um seu estilo nas preocupações de ocupar espaço no meio de um público ávido de seus produtos. Assim são R.R. Soares e Cláudia Leitte na manifestação da mídia. Para o primeiro a palavra é a que ocupa as mentes e as torna sempre esperançosas diante das vicissitudes. E estas cada vez mais ameaçantes num mundo de crescentes incertezas. Para a segunda, a música que preenche a alma dos brasileiros, já tão repleta de batuques e salamaleques diante do eterno saltimbanco brasileiro que se esbalda nesse período carnavalesco e luta pela esperança da alegria o ano todo. R. R. Soares, nos dá de assalto gradativo as notícias com uma certa timidez, como ele mesmo transmite, como a da compra de um jatinho ou até mesmo da compra de uma rede de televisão com canais exclusivos. A comunicação no mundo de hoje é o grande instrumento de transformação da vida e da cultura de um povo. Aliás, tais notícias não são tão recentes assim, já há alguns meses o seu próprio programa anunciava inclusive uma recatada programação. E Cláudia Leitte declara em rede nacional escrita que a vida é rápida e que se não fizer agora (não sei o que ela quis dizer. Se eu não fizer agora, o que?), talvez ocupar espaço na mídia musical, disputadíssima, e buscar com mais determinação a ampliação de sua tão apreciada música. Sobretudo pelo fato que ela possui uma forte concorrente na região e no país. Ambos nos dão a idéia de como a vida, de fato é rápida. Se a decisão não é tomada a tempo e à hora, outro ocupa o nosso espaço, às vezes, tão duramente conquistado e de difícil mantença num mundo cada vez mais competitivo. De fato, a inovação e a permanente necessidade de mudança são fatores obrigatórios no mundo atual e as decisões devem ser bem preparadas para que o seu resultado não provoque equívocos incorrigíveis ou de difícil correção. Em situação de mercado ambos são oligopolistas pelos produtos que divulgam, mas já percebem o resultado da concorrência e pressentem a necessidade da inovação e da tomada de decisões que os ajudem a manter-se dominante. Esta inteligência de percepção no mercado competitivo precisa, antes de qualquer coisa, estar eivada de boa-fé, o que não falta ao pastor, e da boa música, que igualmente não falta à Cláudia. Mas, principalmente não podem comprometer os produtos praticando o estelionato, seja da fé, seja da música. Não há como afastar o Estado dos exemplos tão negativos que vem dando à nação, como os da convivência dos crimes de colarinho branco e cinza, na maioria das vezes, afiançados por Partidos Políticos majoritários que negam o óbvio e não aceitam a verdade. E como são rápidos. Por estas e outras razões resta-nos refletir no exemplo emitido pelos nossos dois importantíssimos personagens da vida brasileira. Nas decisões que devemos tomar, para não perder nosso espaço. E, nas comunicações de nossas decisões, que devem vir igualmente por um outro caminho. Primeiro, pelo caminho da fé, para que, cada vez mais rapidamente tomemos a decisão pela fé e pela ética na construção da cultura brasileira, bem como, em segundo, pela alegria e pelo comedimento da alegria, com o mesmo objetivo. E estas, deveriam ser a decisão e a comunicação de nossos políticos, principalmente no momento de preparação do voto. Cabe-nos então uma incitação à reflexão ética com Carlo Maria Martini no livro com Umberto Eco Em que crêem os que não crêem! Que diz: Se as idéias inadequadas sobre o mal não estariam ligadas a idéias insuficientes sobre o bem; se o iluminismo não estaria falhando ao não perceber ou ao menosprezar o elemento dramático inerente à vida ética. Precisamos ouvir, pelo menos, um pouquinho mais, tanto R.R. Soares quanto Cláudia Leitte, para aprendermos alguma coisa. * ILSON SANCHES, Advogado e Professor universitário
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