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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012, 23h:05

AIRTON REIS

Quem vem cá (sic)?

Grande desafio. Direitos indígenas constitucionais. Informações. Solicitações. Portaria. Decreto. Projeto de Emenda Constitucional. Providência. Revogação. Advocacia Geral da União. Manifesto público. Medidas extremas. Mobilização. Fechamento das Br’s Federais. Terras. Etnias originárias. Sucateamento da FUNAI. Defesa. Luta. Guerra declarada. Mais de uma rodovia interditada em território nacional. Mais de uma história mal contada desde um princípio envolto pelo mesmo fim escrito e pronunciado em língua portuguesa nem sempre versada com a devida vênia da eloqüência gramatical. Mais de uma floresta condenada pela mesma inundação em nada ocasional. Mais de uma aldeia exterminada aos olhos da Carta Magna Constitucional. Mais do que uma aberração intempestiva em via crucial. Mais do que uma pátria viva em ordem legal. Mais do que uma República Federativa ameaçada em tempo real. Mais do que uma Fundação à deriva no mesmo vendaval. Mais do que uma classe sem qualquer representação política ou quiçá social. Atritos sem embaixadores. Conflitos sem interlocutores. Senhoras e senhores das penas e das penalidades. Senhoras e senhores das algemas e das liberdades. Senhoras e senhores das comunidades mais do que virtuais. Senhoras e senhores investidos de mandatos advindos de pleitos eleitorais. Senhoras e senhores desta e daquela jurisdição em órgãos coligados. Senhoras e senhores deste e de outros Estados Federados. Senhoras e senhores dirigentes privados e funcionários públicos contratados. Senhoras e senhores brasileiros mais do que irmanados pela mesma miscigenação secular. Senhoras e senhores brasileiros mais do que ignorados numa pátria sem lar: Já dizia o poeta “navegar é preciso”. Já dizia o profeta “viver é amar”. Já dizia o ditado popular “quem semeia vento, colhe tempestade”. Já lascaram a pedra nos primórdios da mesma humanidade. Já inventaram a roda nos confins da mesma modernidade. Será preciso outra caravela mais do que lusitana? Será viver no Brasil uma guerra mais do que profana? Será essa ventania um fenômeno da climatologia descrita em calamidade republicana? Pedra rolada em seixo no mesmo leito mais do que fluvial. Roda sem rotação em mais de um eixo na mesma soberania nacional. Quem flecha? Quem caça? Quem pesca? Quem conserva? Quem extrai? Quem extingue? Quem restringe? Quem infringe? Quem burla? Quem barganha? Quem fecha? Quem abre? Quem integra? Quem separa? Quem soluciona? Quem ampara? Quem exclui? Quem extermina? Quem determina? Quem defende? Quem acusa? Quem julga? Quem condena? Quem absolve? Quem resolve? Quem manda? Quem é mandado? Quem é ente público? Quem é ente tutelado? Quem é omisso? Quem é inocentado? Quem é culpado? Quem bloqueia? Quem é bloqueado? Quem vem lá? (exclamação final). Quem vem cá (sic)? *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




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