NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 03 de Novembro de 2011, 19h:34

MARTHA BAPTISTA

Quanto mais velhos...

Esta semana entrevistei uma mato-grossense que completou 100 anos: Nympha Escolástica da Silva - uma mulher de personalidade forte que se gaba de sua presença de espírito. “Se alguém falar alguma coisa que não gosto, dou resposta no ato. O que gosto, gosto; o que não gosto, não gosto. Por isso sou feliz”, afirmou. E isso não parece ser bravata de uma senhora centenária, já que todos asseguram que ela sempre foi assim. Esse encontro me fez pensar sobre a questão da idade. Como tudo é relativo! Há pessoas que se acham velhas aos 18 anos e há outras com uma vitalidade invejável em idades avançadas. O que determina nossa idade? Tenho um amigo, de 76 anos, que diz que essa história de melhor idade é uma balela. Meu amigo não é um pessimista, é apenas realista. Como convencer alguém entrevado numa cama ou tendo que recorrer a um andador de que aquela é sua melhor idade? O mundo é cruel e contraditório. Ao mesmo tempo que tenta nos convencer das delícias da “melhor idade”, glorifica a juventude e tenta nos enfiar goela abaixo uma série de artifícios para se manter eternamente jovem: pílulas, cirurgias plásticas e técnicas revolucionárias para manter a pele lisa, sem rugas e expressão. Outro dia, um amigo jornalista do Rio de Janeiro, que continua trabalhando aos 70 anos, contou sobre a situação difícil de uma amiga em comum: “É mais uma grande profissional que o mercado seletivo dos ‘jovens’ pôs de lado”. Em algumas carreiras, como as de modelo e jogador de futebol, a idade é fundamental, todos sabemos, porém, na profissão de jornalista, em que o vigor físico e a beleza não são fundamentais, deveríamos ser tratados como vinho: quanto mais velhos, melhores. Não é o que acontece. Só não sei se isso também ocorre em outras profissões. Volta e meia, alguém que entrevistei elogia minha capacidade de transmitir exatamente o que ele quis dizer. Sempre pensei que era essa a minha obrigação como repórter, mas constato, com uma certa relutância, que isso é um talento (modéstia à parte), que foi aprimorando com o tempo. Pode ser até que o mercado não valorize os meus atributos (a profissão de jornalista anda tão desvalorizada, num mercado profissional onde publicitários e outros profissionais vão tomando nosso espaço – um assunto para outro artigo), mas hoje, diante do exemplo positivo de dona Nympha, eu me sinto invadida por uma onda de otimismo. Acho que preciso pôr mais em prática a sua receita de longevidade, que inclui o uso constante de guaraná em pó. *MARTHA BAPTISTA é repórter

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL