ARTIGO
Quinta-feira, 31 de Março de 2011, 20h:49
A
A
TEOBALDO WITTER
Prefeito é condutor consciente
As nossas cidades tem muitos problemas. Entre os quais está o trânsito. Quanto transtorno para quem precisa sair de casa e ir ao trabalho a partir das 7h! Todos os dias são engarrafamentos, acidentes, condutores mal humorados, burlando regras de boa convivência. Toda hora há acidentes, trancando a rua e levando gente para os hospitais. Há 8 anos, eu demorava 15 minutos para ir da minha casa ao local do trabalho. Hoje, demoro 50 minutos, sendo que a casa, as ruas e o local de trabalho são os mesmos. A gente perde muito em qualidade de vida. Devemos melhorar a engenharia de trânsito e a educação de condutores. Como pratico direção defensiva, muitas vezes, preciso parar para deixar gente estressada e apressadinha passar. Por isso, quero escrever sobre a prática do trânsito consciente. A postura de condutor consciente salta aos olhos. E dá nó em nossa mente. Veja o caso do Sr. João Antônio. João Antônio é prefeito da cidade de Novo Xingu. Ao mesmo tempo, ele é presidente da Associação dos Municípios do estado do Tapajós. Ele participou de uma atividade num município vizinho. Como era uma noite fria, depois da reunião, foi distribuído vinho. As pessoas tomaram moderadamente, umas mais e outras menos. O prefeito tomou um copo do delicioso vinho. Ainda naquela noite, se dirigiu para sua cidade, num carro particular. Já altas horas, com pouco movimento na rua, ele furou sinal vermelho. Como a polícia estava monitorando o trânsito, mais adiante, ele foi parado numa blitz. Fez o teste do bafômetro. O teor alcoólico acusou 0,6, sendo que o permitido era de até 0,5. O prefeito havia cometido duas infrações: furar sinal vermelho e excesso de álcool no sangue, apesar de ter transitado em altas horas, em rua com pouco movimento, e ter bebido apenas 1 copo de vinho. Ele entregou a sua CNH e ligou para a sua esposa que viesse de taxi para dirigir o seu veículo até sua casa. Uma semana depois, o prefeito renunciou, espontaneamente, ao cargo de presidente da Associação dos Municípios, dizendo: eu errei, lamentavelmente. Não posso permanecer no cargo, porque minha postura ética será questionada pelos colegas, se eu fizer de conta como se nada tivesse acontecido e saísse dessa numa boa. Assumo a minha responsabilidade e me submeto às exigências da lei justa por defender a vida e promover a paz, a justiça e o equilíbrio. Procuremos ser motorista moderado. Analisemos a postura do prefeito para verificar nele a postura de condutor consciente. Condutor consciente se vê em espelho, se identifica com a postura de João Antônio. Por que escrevo sobre a atitude do prefeito João Antonio? Primeiro, porque é uma história que foi protagonizada por uma liderança. Segundo, para conhecer alguém devemos permitir que exerça o poder. Além do poder, é importante observar a sua postura diante do seu próprio erro. Terceiro, a postura das lideranças tem impacto no comportamento da maioria do povo. Infelizmente, alguns poucos prefeitos ainda acham que o sinal amarelo no trânsito significa andar mais rápido, em vez de parar. Muitas poderiam opinar, dizendo que é uma história pedante e piegas. Podem opinar como quiserem. Mas é uma história real, que aconteceu, com pessoas e lugares de nomes diferentes. Mas aconteceu. Quanto ao comentário, prefiro ser conhecido como pedante e piegas e ver as ruas, praças e cidades cheias de seres vivos e felizes a ser conhecido como liberal e light e ver ruas cheias de sangue e cadáveres e casas cheias de dores, lamentos e pessoas com deficiências físicas e corações amargurados. No trânsito, a vida e a morte estão em nossas mãos. Escolhemos, pois, a vida para que vivamos bem na cidade que escolhemos para nós e para a nossa descendência viverem em paz e felizes. Caso contrário, seremos lembrados como geração que se matou consciente de seu fim. *TEOBALDO WITTER é pastor, professor e ouvidor o do Detran/MT