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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 21 de Janeiro de 2012, 12h:59

GUSTAVO OLIVEIRA

Preconceito e obviedade

A palavra preconceito tem origem no latim da união entre ‘pré’ (antes) e ‘conceptus’ (conceito), ou seja, é fazer uma escolha ou emitir uma opinião antes de conhecer os fatos. Nos últimos dias, vi dois exemplos em nosso noticiário que afloram este preconceito: a privatização na administração da Sanecap e a possível venda da Rede/Cemat para um grupo chinês. No caso da ‘venda’ da Sanecap, além do preconceito de cunho ideológico há muita motivação política nas ações contrárias ao que de fato aconteceu: a prefeitura fez uma concessão no serviço de saneamento. Ou seja, um administrador privado vai gerir o saneamento de Cuiabá por 30 anos. Ao final deste contrato, ele poderá ser renovado, por mais 30 anos ou entregue a um novo administrador, que pode ser, inclusive, a própria prefeitura de Cuiabá. Não vejo muito sentido no debate dos que criticam e dos que apoiam as privatizações. O importante é saber que a economia é cíclica e que há momentos em que o Estado deve intervir diretamente no mercado e outros em que ele deve deixar esta função para a iniciativa privada. Nada melhor do que uma democracia para escolher os elementos políticos que vão determinar, com base técnica, quando é o momento do Estado intervir ou não. O que podemos questionar, no caso da Sanecap, é sobre o processo de licitação que levou a escolha, os direitos e as obrigações do concessionário. Aí, este debate vai longe! Como cuiabano, acredito que a entrega do serviço do saneamento à iniciativa privada é a melhor solução para Cuiabá. Primeiro, porque para resolver os problemas são necessários pesados investimentos e, obviamente, a cidade não tem capacidade para fazê-los. Segundo, nós não temos a prática de administrar bem a coisa pública, devido à ingerência política nas nossas empresas públicas. A solução da ‘privatização’ será boa para todo mundo, desde que haja fiscalização e cobrança da população e da prefeitura. Ganham os funcionários que realmente trabalham na empresa, já os indicados politicamente correm sérios riscos (perguntem a um funcionário da Cemat como era a empresa antes da privatização!). Ganham os consumidores, que passam a ter um serviço de qualidade (lembram-se de como a luz caía em Cuiabá, antes da venda da Cemat, ou como era o sistema de telefonia?). Ganha a prefeitura, que terá um problema a menos a gerir e se dedicar, por exemplo, a melhorar a educação. Quem sabe, quando a educação pública for de qualidade, elegeremos melhores homens públicos e aí os serviços ditos públicos podem até ser geridos por eles? Quanto a uma possível venda da Rede/Cemat para um grupo chinês, também não vejo nenhum problema. Qual a diferença para nós, mato-grossenses, se o dono da gestora deste serviço público mora em Pequim, Londres, Nova York ou São Paulo? Nenhuma! O que queremos é que o serviço seja feito a contento. Questionar a procedência do capital neste mundo globalizado em que vivemos é complicado. No mínimo, é preconceituoso! O dinheiro norte-americano é melhor que o chinês? Não! Este capital, venha ele de onde vier, buscará retorno. Ou vocês acham que os espanhóis (Vivo) e portugueses (Oi) que hoje controlam a antiga Telemat pensam diferente? O que realmente devemos questionar, sem preconceito, é se os serviços melhoraram. Aí, a resposta é bem óbvia! * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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