ARTIGO
Sexta-feira, 01 de Novembro de 2013, 19h:14
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TÂNIA NARA MELO
Poucas mudanças
Há pouco mais de dois anos, tratei aqui nesse mesmo espaço a questão da acessibilidade em Cuiabá após descobrir no Facebook uma campanha com o slogan Todo mundo tem uma roda de amigos, eu tenho um amigo de rodas, propondo um olhar mais atento à questão da acessibilidade que em Cuiabá e chamando a atenção não apenas daqueles que são responsáveis pela administração da cidade, mas também da classe empresarial, em especial daqueles que estão envolvidos no setor de entretenimento, bares e restaurantes. Passado esse período, vemos que pouco ou nada mudou e, no que diz respeito a acessibilidade ela continua praticamente nula em Cuiabá. Poucos são os locais que têm alguma preocupação com aqueles que usam uma cadeira de rodas para se locomover. A situação das ruas da capital é um claro exemplo disso, pois revelam um completo descaso quando o assunto é acessibilidade. Nem é preciso andar muito para vermos calçadas com desníveis, muitas delas com degraus e as poucas que possuem rampas quase sempre são inadequadas. Mais parecem rampas para quem pratica skate do que área de acessibilidade. Problemas como esses são comuns nas áreas mais centrais e em bairros considerados nobres, que se agravam ainda mais quando se trata da periferia. A impressão que se tem é de que quem deveria fazer algo a respeito, ou seja: dotar a cidade de condições mínimas de acessibilidade, parece ignorar a existência de cadeirantes. Mas a realidade, no entanto, é bem outra, pois na verdade, ao contrário do que muitos pensam, esse universo é bem maior do que se imagina. O certo é que esta questão tem que ser olhada com seriedade e o empresariado - no caso os donos de restaurantes, bares, hotéis, lojas, escolas, teatros e por aí vai - deve estará atento a essa questão e dar sua parcela de contribuição, assumindo a responsabilidade de garantir o acesso de todos, sejam cadeirantes ou não. O assunto é sério e merece o devido respeito. Até porque quem faz uso da cadeira de rodas não quer ser olhado como diferente; ao contrário, quer e merece direitos iguais. O que se está pedindo não é um favor, é simplesmente o cumprimento de regras básicas que possam garantir a acessibilidade a qualquer lugar, seja público ou privado. O que se espera é que tanto as autoridades quanto a classe empresarial tenham um olhar mais atento à essa situação e se empenhem em mudar essa realidade o quanto antes. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião