O assunto sobre o qual vou discorrer aqui é o mesmo que o colega de redação, Rafael Costa, emplacou neste espaço há poucos dias. Algo que ousarei definir como a farra dos políticos comunicadores. E vou logo dizendo: sou contra essa história de político atuar como apresentador, repórter ou qualquer outra função midiática que lhe confira mais visibilidade do que a que já tem como político. Ser colaborador de um jornal, escrever artigos esporadicamente, participar de um ou outro programa de rádio ou TV debatendo temas emergentes ainda vá lá. Mas daí a ter espaço diário em qualquer tipo de mídia para dizer o que bem entende e esse bem entende deve ser entendido de acordo com a audácia de cada um dos políticos que se beneficia com essa evidência é coisa que me soa um bocado estranha. Todas as vezes que me refiro à classe política, a qual sempre sinto necessidade de criticar, preciso dizer que não se trata de algo pessoal contra este ou aquele político. É apenas uma questão de opinião pessoal de alguém que sobrevive numa sociedade em que a falência múltipla dos órgãos parece estar por um triz para ser constatada. Uma opinião de um sujeito que acredita em mudanças e que escreve pretensiosamente com a intenção de mudar o mundo. E para mudar o mundo, preciso começar mudando este lugarzinho onde vivo. Numa outra oportunidade, quem sabe mais pra frente, num futuro que pertence a Deus, mas no qual a gente pode dar uns pitacos, gostaria de descarregar meu desafeto contra a relação viciada entre os veículos de comunicação e os poderes constituídos. Sei que é uma proposta, um tema, um diabo de um assunto que bandeia para aquela conversa de chover no molhado, mas... Mas vamos devagar. Agora está no tempo de continuar o raciocínio levantado pelo Rafael. Alguns dos nossos políticos surgem diariamente em horários pré-fixados como se fosse uma espécie de continuidade da propaganda eleitoral gratuita. Escolhem os temas que vão abordar e desenvolvem, muitas vezes, discursos duvidosos e de caráter demagogo, sensacionalista e principalmente oportunista. Propagam suas respectivas imagens em lares de pessoas e famílias que nem sempre percebem essa jogatina midiática. Acho interessante o Rafael, um repórter jovem dar vazão à sua ideologia e questionar essa situação. E preciso vir aqui para me solidarizar com ele e propor que outros colegas de redação também o façam. E que os leitores também somem conosco. A contestação é livre e o assunto interessante. Acabou meu espaço por hoje. Saio, mas deixo a luz acesa... LORENZO FALCÃO é editor de Ilustrado