ARTIGO
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008, 21h:32
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NATACHA WOGEL
País do voleibol
Vou me atrever a falar de um assunto sobre o qual tecnicamente pouco conheço, porém falo com o coração de brasileira e ainda orgulhosa da pátria que sou. Samba, praia e futebol. É chegado o momento de rever o slogan que define a brasilidade para o mundo. Pelo menos diante do desempenho do país nestas olimpíadas. Quanto sofrimento ao assistir as partidas de futebol enfrentadas pelas seleções masculina um fiasco e feminina (esta até que brigou mais)! Começo a achar que o Brasil é o país do voleibol. Que força desses meninos e meninas da quadra e da areia! Disputaram jogos que encheram os olhos, sacudiram os corações, mesmo com resultados finais medalhes não tão favoráveis. Mas, em se tratando de transmitir raça, força, emoção e vontade de vencer, desbancaram os milionários jogadores da seleção brasileira de futebol. Acho que o vôlei é um tipo de esporte que permite maior interação e integração das equipes. O fato de estarem juntos, treinando juntos com regularidade para enfrentar torneios nacionais e mundiais permite aquilo que equipes devem ter, e que falta e muito à nossa seleção de futebol: cumplicidade. Ao término dos jogos de vôlei, o time de Bernardinho, por exemplo, pára no centro da quadra para um momento de reflexão, agradecimento, confraternização ou felicitação, atitude que demonstra o quanto o grupo é cúmplice, o quanto os jogadores têm espírito de equipe e estão de coração naquilo que fazem. Quanto ao futebol, a sensação é que os milionários craques brasileiros estão aprendendo a se acomodar diante das derrotas enquanto seleção e estariam voltados com afinco apenas aos grandes clubes europeus para os quais trabalham, cujos valores investidos neles ultrapassam, muitas vezes, as raias da razão. De maneira geral, os jogos olímpicos de Pequim deixaram muito a desejar quanto à participação brasileira. O gostinho de quero mais e a frustração de não ter sequer se aproximado do esperado permeiam todas as rodas que se ativeram à realização das olimpíadas. Porém, acho que o orgulho nacional com todo respeito a Cesar Cielo e Maurren Maggi, medalhistas de ouro desta edição e que trouxeram alívio, até agora, aos corações brasileiros se dá diante das exibições das equipes de voleibol. Pelo menos para mim, o show do esporte foi, a todo momento, protagonizado por elas nesta disputa. E sinto que vem mais ouro por aí. A nós resta torcer e aplaudir. NATACHA WOGEL é editora de Cidades do Diário