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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 05 de Dezembro de 2009, 15h:57

MÁRIO M. DE ALMEIDA

Paciência de Jó

No jornalista Osmar Carvalho, bem mais do que a qualidade do seu texto - elegante e conciso -, o que ressalta nele é o seu bom caráter. Além da humildade e discrição como se comporta no exercício da difícil e espinhosa função pública que vem desempenhando, a de secretário de Imprensa da Assembleia Legislativa – um cargo que exige paciência de Jó e muita habilidade para agradar gregos, troianos, sem falar nos baianos... E no qual está completando cinco anos – um tempo duradouro para o tipo de função que Osmar exerce, onde quem já passou por ali ou conhece do metier, sabe perfeitamente que se trabalha sob uma carga imensa de pressão. E bote pressão nisso! Tanto interna e, pior, externa, esta última derivada da demanda dos mais diversos veículos de comunicação social. Isto porque em um Estado com as características econômicas e sociais do nosso, os poderes públicos de uma maneira em geral, são os maiores anunciantes. Trata-se um óbvio ululante e que salta aos olhos – como diria o grande Nelson Rodrigues, uma das minhas referências literárias mais caras, a qual sempre recorro quando quero reforçar uma ideia, conforme é o caso. Esse quadro do relacionamento comercial entre as empresas dedicadas à exploração dos meios de imprensa e as administrações públicas, torcemos para que venha a se modificar, mas isso só será possível com doses maiores de desenvolvimento econômico. E que hoje, aliás, Mato Grosso começa a receber seus impactos benfazejos, porém é preciso ainda que esse crescimento seja ampliado. Pois só dessa maneira, propiciando o surgimento de grandes anunciantes da iniciativa privada, a imprensa cuiabana e mato-grossense, via de regra, ficará menos carente da mídia oficial. Desconhecer essa realidade ainda vigente no mercado publicitário local, seria hipocrisia e farisaísmo dos mais deslavados. Existe sim uma dependência enorme dos órgãos de divulgação – em menor ou maior grau, não importa - com relação às verbas públicas destinadas à veiculação de propaganda. E não se pode, portanto, também desconhecer que aqueles que vão para os cargos públicos(e eu próprio que o diga, pois já ocupei vários postos dessa natureza)que destinam as verbas, não sofram pressões – e fortes. Diante do exposto, não deixa de ser admirável que, no decurso de todo esse tempo como titular da Secretaria de Imprensa de uma instituição com a capilaridade da Assembleia Legislativa, onde tomam assento representantes políticos das diversas regiões mato-grossense, Osmar Carvalho continue passando a imagem serena de um monge tibetano. Falei mais das agruras do cargo, e disse pouco sobre o ser humano. Nesse aspecto, quero apenas lembrar que, com o conhecimento de causa de quem milita há pelo menos três décadas e meia no jornalismo mato-grossense, desconheço nos meios jornalísticos de Cuiabá e Mato Grosso, tanto entre os profissionais como os empresários do setor, alguém que não goste do Osmar Carvalho. Prova disso é que, tão logo seu nome começou a ser cogitado para assumir a Secretaria Estadual de Comunicação Social (Secom), o que foi confirmado agora pelo governador Blairo Maggi (com data de posse já marcada), a escolha pareceu como um fato natural. Não houve objeções. Algo assim: o homem certo no lugar certo. Com isso, ganha o governo e Mato Grosso. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única. www.paginaunica.com.br

Edição EDIÇÃO 16968




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