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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012, 21h:28

RODRIGO VARGAS

Oportunidade perdida

A quinze dias das eleições em Cuiabá, não resta mais tempo para alimentar ilusões. Vamos mesmo fechar mais uma campanha em que a cidade foi tratada como um mero aglomerado de votos em potencial. Votos sem rosto, que não têm filhos na escola, que não usam o transporte coletivo, não precisam de hospitais, não sofrem com as faltas de água, limpeza urbana e iluminação pública. Impulsos digitais gravados em uma traquitana eletrônica. Eis, infelizmente, o mote das campanhas que vimos até agora. Um candidato a prefeito lançou um inacreditável debate sobre o aborto e a liberação das drogas. Outro norteou sua campanha na ideia de que o governador e a presidente adotam um criminoso critério partidário no momento de distribuir verbas públicas. Um calejado concorrente insistiu em nos fazer crer que sua experiência na metalurgia servirá de alguma coisa no momento em que estourar uma greve de enfermeiros no Pronto Socorro. Estratégias de abordagem que, embora justificáveis sob o ponto de vista do marketing político, tentaram esconder a falta de ideias para conduzir a cidade a um novo patamar administrativo. E nunca houve momento mais adequado para isso. Às vésperas de seu tricentenário, Cuiabá vive a expectativa da condução de dezenas de obras que, se levadas adiante de fato, irão transformar a vida dos moradores e interferir diretamente na condução de pelo menos metade do próximo mandato municipal. Na busca pelos votos, por exemplo, discutiu-se quem é contra ou a favor do VLT. Mas nada se falou em relação ao futuro desenho do sistema de transporte coletivo, a partir da implantação do modal. O que pensam os candidatos a respeito de questões fundamentais, como a definição da tarifa? E o melhor modelo de operação? Defendem que seja criada uma empresa pública ou acreditam na ideia de uma PPP? É como se a maior obra da história do Estado estivesse sendo erguida na Nova Zelândia e não no coração da cidade que desejam administrar. Como em outras campanhas, acumulam-se promessas em relação a um Pronto Socorro novinho em folha. É como se o problema se resumisse a uma questão de estrutura física (que de fato é vergonhosa), e não à gestão de um sistema subdimensionado pelo Ministério da Saúde. Não acredito em mudança neste panorama até outubro. Na disputa para vereador, os próximos 15 dias serão de muito barulho, propostas fora do raio de atuação do cargo e aparições grotescas na TV. Entre os candidatos a prefeito, com um segundo turno cada vez mais visível no horizonte, será tempo de guerra suja. Seja como for, fecharemos o ano eleitoral com aquela sensação amarga de que, novamente, não fomos levados em consideração. Quem sabe em 2016? RODRIGO VARGAS é jornalista do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




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Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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