ARTIGO
Quinta-feira, 06 de Janeiro de 2011, 21h:23
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MARIANNA PERES
Obrigada!
A irmã Erli, então diretora do Colégio Coração de Jesus, foi, há quase onze anos a ponta do iceberg de um mar de boas oportunidades que viriam para a vida escolar que se iniciava da minha filha. Naquela oportunidade a direção escolar precisava de um jornalista para divulgar as atividades internas à comunidade e eu, caloura no mercado no nosso jargão dizemos foca -, precisava de uma brecha para pôr em prática a teoria. Foi uma união perfeita de interesses. O acordo era eu trabalhar três manhãs e em troca, Brunna estudava sem qualquer custo. Nunca achei o acordo vantajoso pra mim do ponto vista financeiro, afinal, o piso do jornalista era de pouco mais de R$ 1,1 mil, e a mensalidade naquela ocasião girava em torno de R$ 200. No entanto, sempre dei valor a algumas coisas, principalmente às oportunidades na área educacional. Fui aluna de escola particular e de escola pública e pude perceber bem como havia sido privilegiada durante o ensino fundamental. No momento mais importante da formação, meus pais não puderam mais pagar escola e eu como muitos, dormi na porta do Liceu Cuiabano para garantir minha vaga. Via que aquele acordo iria, de alguma forma, garantir a manutenção de Brunna numa das melhores escolas da Capital. Melhores sim, porque no Coração de Jesus o ensino ultrapassa a barreira pedagógica e há calor humano nas relações entre toda a comunidade escolar. Meu sonho era ver Brunna sair dali direto para UFMT. Dez anos se passaram. A Irmã Erli que me deu a oportunidade de assegurar ensino de qualidade à Brunna foi transferida acho que está em Rondonópolis eu cresci profissionalmente e não pude mais estar ali dentro da escola registrando as principais atividades. Mesmo assim, permitiram que pelo menos nos últimos oito ou sete anos, Brunna pudesse fazer parte da família Coração como bolsista e assim foi até o fim do último ano letivo. Foi porque ontem matriculei Brunna no Instituto Federal de Educação, a antiga Escola Técnica da minha geração. Aliás, cá entre nós, eu que sempre fui boa aluna, não consegui passar pelo teste de seleção da Escola Técnica e nem para o do São Gonçalo, que entre os anos 80 e começo dos 90, só aceitava meninas a partir do segundo grau e tinha um severo exame de seleção. Obrigada, Coração de Jesus, por tudo de bom que proporcionou à Brunna e por extensão a toda família. Brunna, diferente das colegas de salas, prestou exame de seleção do IFMT sem cursinho preparatório, ficou na festa da formatura até às 4h30 da manhã e às 6h30 estava de pé para ir fazer a prova de seleção, onde apenas 17 vagas haviam aos candidatos vindo de instituições privadas. A bagagem que Brunna levará foi toda adquirida nestes últimos dez anos de Coração de Jesus. Este artigo não é propaganda, a escola é superior a isso, é apenas uma forma de dizer obrigada. Muitos pedem, mas poucos voltam para agradecer. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário