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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:26

MARIANNA PERES

Obrigada

Eu bem que poderia estender meu agradecimento aos profissionais de saúde de modo geral, mas pelo desfecho – quase trágico – da última sexta-feira 13, apenas posso agradecer aos profissionais do Pronto-Socorro de Cuiabá e da Santa Casa. Eu, várzea-grandense de coração rendo-me em reverência a vocês que me acudiram no momento certo e na medida exata. Agradeço, e muito também, aos amigos e colegas do Diário de Cuiabá, que em plena pressão do ferrenho fechamento de sexta, pararam tudo para ajudar a mim e a minha filha. Meu sincero obrigada vai também às pessoas que eu nem conheço e nem me conhecem, muito menos a minha filha, mas que foram envolvidas nesta corrente de pura demonstração de amor ao próximo. Obrigada aos amigos de fora do jornal que me ajudaram. A ajuda veio de onde eu menos esperava e foi omissa e negligente onde eu jamais esperava. Foi um choque receber o diagnóstico de suspeita de dengue hemorrágica – algo confirmado – da minha filha, que desde a segunda-feira (9) pelejava com sintomas clássicos da doença, mas que num tradicional hospital da Capital, a Femina, teve os sintomas negligenciados e agravados pela imperícia de três médicos plantonistas. Os exames de sangue diários revelando a drástica redução de plaquetas numa criança sadia de 12 anos, eles não foram capazes de, pelo menos, suspeitar da doença. Ao contrário, prescreveram injetáveis e medicamentos que só agravam a dengue. A trombocitopenia – redução da contagem de plaquetas – evidente no resultado do exame de sangue foi ignorada, e depois de três dias de vai e vem ao hospital, e de três diagnósticos diferentes – primeiro foi a famosa virose, depois infecção bacteriana e por último e o mais absurdo, rotavírus – minha filha dava entrada no Pronto-Socorro em estado gravíssimo, próxima de um choque hipodérmico. As plaquetas que estavam em 481 mil por mililitro de sangue, chegaram na sexta (13), a 22 mil e recuou no sábado seguinte a internação numa UTI a 16 mil. Sou pessoa esclarecida, sei que a dengue tem o diagnóstico mais confiável a partir do quinto dia de manifestação dos sintomas, mas no primeiro exame de sangue, feito no dia 10, as plaquetas estavam acima dos valores de referência – entre 150 mil a 400 mil – em 481 mil, o que indicava sim, que alguma coisa estava errada. Já na quinta-feira, dia 12, mesmo com as plaquetas recuando a 104 mil, o médico teve a capacidade – não posso dizer um palavrão aqui – de diagnosticar rotavírus. Na sexta seguinte, antes da internação, procuramos outro médico, Rodney Mady, ele acreditou em mim e pediu entre outros exames, um de fezes para confirmar o rotavírus, que é claro, deu negativo. Como me deram um diagnóstico desses pelo exame de sangue, então? Os diagnósticos da minha filha passavam de vírus a bactérias de um dia para outro. Gostaria que o CRM/MT se manifestasse a respeito da falta de atenção, no mínimo, dos profissionais que estão a frente dos pronto-atendimentos e parecem estar alheios à epidemia de dengue em Cuiabá e Várzea Grande. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário

Edição EDIÇÃO 16964




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