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ARTIGO
Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010, 10h:30

RENÊ DIÓZ

O que é geodésico?

O desengonçado website da prefeitura de Cuiabá esconde pérolas que parecem coisas de piadista. E, tal como ocorre até com humoristas afiados, deixam parte do público frouxa de gargalhar enquanto a outra parte, atônita, pensa: “Não entendi bulhufas. Cadê a graça?”. Deve ser este o pensamento do turista atrás de informações no caduco www.cuiaba.mt.gov.br. Enquanto ele quase desiste da viagem vendo-se sem rumo nesta capital, o cuiabano, conhecedor das falhas tremendas de sua querida e esburacada cidade, cai no clichê de rir para não chorar. É que o alardeado incentivo ao turismo local, que mira na famigerada Copa 2014, não foi capaz até agora de organizar, criar e nem mesmo informar decentemente o visitante sobre as atrações da Capital pelo meio mais barato de se fazê-lo, a internet. E algumas das poucas ações do poder público nesse sentido soam cômicas pela falta de bom senso. Veja como apenas duas situações dessas, expostas no site, bastam como exemplos neste reduzido espaço. Se o turista, veja só, verificar no website o que há de interessante no city tour da prefeitura (alguém já viu o serviço funcionar?), terá a importante informação de que a rua 13 de junho “é uma das movimentadas ruas de Cuiabá, principalmente em horário comercial”. Ué, mas e o que há pra se fazer lá? O que a rua oferece além da Casa do Artesão e do calor? Qual a importância da via? No fundo, fica até parecendo que o recado é: passe longe desta rua em horário comercial porque o trânsito é péssimo. Outra brilhante informação é a de que o Centro Geodésico da América do Sul “fica no antigo campo do Ourique – hoje a praça Moreira Cabral, onde também fica a Assembléia Legislativa de Mato Grosso”. Além de desatualizado (a sede da AL mudou faz tempo), o texto completa, com exclamação bocejante, dizendo que o local “já foi uma praça de enforcamento de condenados e também um campo de touradas!!!”. Uau! E o que sobrou das touradas? Tem souvenir? O que fotografar ali além do monumento imperceptível do Centro Geodésico junto à Câmara dos Vereadores, que agora ocupa o antigo prédio da AL? O texto nem fala sobre o monumento (ainda bem que também não cita alguns vereadores). Aliás, aquela conversa de Centro Geodésico lembra meu saudoso amigo Vinicius, em seus surtos de indignação. “De que vale esse negócio de Centro Geodésico da América do Sul? Afinal, o que é geodésico? E de que vale saber que estamos o mais longe possível de um mar?”, perguntava-se. Não deu outra: Vinicius fugiu pro Paraná. Se depender de nossa gestão pública em turismo, o tal do geodésico vai continuar mesmo como a única atração turística que divulgamos ter, símbolo da paradeira total nesta cidade. Uma pena. * RENÊ DIÓZ é repórter

Edição EDIÇÃO 16960




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