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ARTIGO
Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011, 19h:03

GLAUBER SILVEIRA

O principal óleo vegetal do mundo

Em viagem à Malásia, é interessante ver como o País respira palma. Ao desembarcar no aeroporto já se podem ver as imensas plantações desta palmeira, cujo principal subproduto é o óleo de palma, principal óleo consumido no mundo. Cerca de 70% da área agrícola do país é cultivada com palma. A palma ocupa uma área de 4,8 milhões de hectares e gera para a Malásia uma receita bruta de exportações de 20 bilhões de dólares, a mesma gerada pela soja ao Brasil. E apesar da grande contribuição para o PIB, corresponde a 10% das exportações, o governo do país tem uma grande preocupação com a monocultura, pois já tiveram problemas com a borracha em crises de demanda. Nas questões relacionadas à área ambiental, eles enfrentam problemas muito parecidos com os nossos. Em reunião com a MPOC- Associação da Cadeia da Palma - foi nos relatado que as ONGs têm agido de maneira extremamente radical e divulgam informações irreais sobre a cultura da palma. O país avalia e ainda tem várias dúvidas sobre a participação na RSPO (Mesa-redonda de Óleo de Palma Responsável), instrumento similar ao RTRS (Mesa-redonda da Soja Responsável). De acordo com os representantes da MPOC, a mesa redonda da palma parece defender interesses ocultos do mercado europeu. Algo muito mais ligado ao protecionismo de mercado do que propriamente uma preocupação ambiental. Durante a Eco92, segunda Conferência Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, a Malásia assumiu o compromisso de manter 50% do país com florestas e utilizar 23% do território com agricultura. Como efeito de comparação, o Brasil possui 60% do território com vegetação intocada, os 10% que temos a mais que eles equivalem a três Malásias. Eles já estão quase alcançando os percentuais definidos na Eco92 e por isso vão expandir o cultivo da palma para a África. O continente africano tem 40 milhões de hectares aptos para agricultura, que ainda não são aproveitados. Existe também a possibilidade deles virem para o Brasil, porém, para isso destacam que é necessário o país garantir a segurança jurídica necessária. Na Malásia as reservas são unificadas, eles fizeram um zoneamento nacional, definiram quais as áreas deveriam ser utilizadas para agricultura e as que deveriam ter a floresta nativa conservada. O país tem algumas exigências de biodiversidades, como proteção de nascentes, conservação de solos, que variam de acordo com a região onde a produção se encontra, mas as áreas de preservação pertencem ao governo. A produção de palma na Malásia e originada 60% de empresas e 40% de pequenos produtores. Nos primeiros dois anos, período que a palma ainda não produz óleo, o governo tem subsidiado os pequenos produtores, já que durante este período não possuem renda. A área dos pequenos produtores é de 1 a 2 hectares. A palma tem uma vida útil de produção de 30 anos. O consumo mundial de óleo deve crescer muito, já que a China consome 23,6kg/ano per capita e Índia 14,2 kg/ano, pouco se comparado ao consumo da Europa e dos EUA, que são, respectivamente, 60,5 e 49,8 kg/ano. Analistas indicam que a demanda pelo óleo de palma deve continuar aumentado apesar da crise mundial. A referência mundial de preço para óleo é com base no óleo de palma, que o principal óleo produzido no mundo nos últimos 10 anos, superando o óleo de soja. O óleo de palma vem aumentando sua participação em diversos países, mas os produtores esperam crescer muito mais e estão se esforçando para isto. É interessante e estimulante ver o quanto a palma é referendada na Malásia, não só pelo setor privado, mas também pelo governo, pois é notória a contribuição da cultura como fonte geradora de indicadores sociais, ambientais e econômicos ao país. *GLAUBER SILVEIRA é presidente da Aprosoja MT e Aprosoja Brasil e esteve recentemente em viagem à Malásia

Edição EDIÇÃO 16960




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