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ARTIGO
Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013, 20h:13

ADILSON ROSA

O Oscar é nosso

Se a Fundação Nobel instituísse o Prêmio Nobel da Incompetência destinado a governantes, o Brasil sairia na frente e com muita vantagem. Seria praticamente impossível ser batido, tamanha é a falta de planejamento por aqui. As últimas informações a respeito da infraestrutura brasileira mostram o cenário de desgoverno em que vivemos. De um lado, o governo anuncia bilhões em investimento em estradas registrado pela mídia. Nada contra os Estados e Capitais beneficiados. Pelo contrário, o ruim é que a região Centro-Oeste, que responde por mais da metade da produção brasileira, foi ignorada. Simplesmente não vem um centavo para a região onde em poucos anos a produção praticamente dobrou e assombrou o mundo. Em outra reportagem, o governo vai leiloar a BR-163 e a concessionária que ganhar a licitação terá 30 anos para poder duplicar a pista que é a única via de escoamento para as supersafrasa. Em três décadas, Mato Grosso poderá até triplicar a sua produção. Na rodovia privatizada, o frete será de R$ 5,50 a cada 100 quilômetros, no trecho que vai do Mato Grosso do Sul até Sinop, quase 900 quilômetros. É só fazer a conta que a conta ficará salgada demais, o frete vai comer o lucro dos produtores. Mais um ponto para a incompetência. Sem falar que as empresas que administrarão a rodovia sabem que o tráfego poderá diminuir pela metade ou até menos caso o escoamento da safra siga para o norte. Em outra reportagem, a própria BR 163 tem quase 600 quilômetros sem asfalto até o porto de Santarém. É muito chão pela frente. E mais pontos para a incompetência. Os jurados iriam ficar impressionados com tanto desplanejamento – sim, os nossos governantes já ganharam um neologismo. Para completar, li não faz muitas horas antes de escrever este artigo que a falta de estradas já está prejudicando o transporte da safra. É pra rir para não chorar. Os jurados iriam entender que, aos olhos do mundo, uma megaprodução sem escoamento é mesmo uma incompetência insuperável. ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16965




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