JUVENAL M. DA S. NETO
Nestes últimos meses e dias, o novo ENEM envolveu milhões de brasileiros numa discussão apaixonada sobre o seu significado, importância, e sucesso. Estudantes, familiares, professores, universidades, jornalistas e a sociedade brasileira em geral passaram a discutir os rumos da educação brasileira. O novo ENEM, como sistema nacional de avaliação e ingresso no sistema público do ensino superior, suscitou uma discussão sem volta, em busca da universalização, da democratização e da melhoria da qualidade do ensino público superior. Como professor e educador, gostaria de tecer alguns comentários em relação aos questionamentos do novo ENEM. Vivenciei de perto, a inscrição do filho de uma amiga, no Sistema de Seleção Unificado (SISU), sendo que infelizmente, ele não obteve a pontuação suficiente para ingresso nas universidades e institutos federais. Tentamos várias possibilidades de cursos, nos mais variados Estados brasileiros, onde conseguíamos a pontuação suficiente num dia, no dia seguinte ele era superado por estudantes com maior pontuação. Alguém pode sugeri: - A culpa é do novo ENEM e do SISU! No entanto, penso que foi falta de estudo do rapaz. Uma das críticas que li nos jornais, é o fato da UFMT ter aderido ao SISU, adotando o ENEM, como única forma de ingresso no ensino superior. A crítica contrária a esta adesão, defendia que a UFMT deveria reservar suas vagas do ensino público aos habitantes do Estado do Mato Grosso. Considero que este discurso apresenta um viés bairrista. Acontece que o Estado do Mato Grosso é um Estado formado por migrantes, ainda em construção, cheio de vazios a serem ocupados e desenvolvidos. Antes de sermos mato-grossenses, gaúchos, baianos, paulistas, mineiros, goianos
Somos de fato e de direito, cidadãos brasileiros. Além do mais, o Estado do Mato Grosso sempre acolheu bem todos os brasileiros, e até estrangeiros, das mais variadas origens. Não obstante o fato de algumas universidades públicas terem reservado apenas 50% de suas vagas para os estudantes que o fizeram o ENEM, talvez por desconfiarem do sucesso do SISU. E outras, como a Universidade Federal de São João Del Rey, adotarem uma postura bairrista esdrúxula, ao reservar apenas 31 das suas 785 vagas para estudantes que fizeram o Enem. (O Tempo, 04/02/2010) Penso que a universidade pública, financiada com recursos públicos, seja federal ou estadual, não pode considerar a origem na escolha dos seus alunos. Creio que a proposta inicial do MEC, de reformulação do ENEM e sua utilização como forma de seleção unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais, deva se estender para universidades públicas estaduais, como a UNEMAT, dado o sucesso do sistema SISU. Uma vez que este democratiza a mobilidade, o acesso e a escolha do aluno, daí possibilitar ao Estado, identificar demandas regionais por cursos, e melhorar a distribuição dos recursos públicos. Ainda em relação ao mérito da proposta, pondero que o novo ENEM faculta elevar a qualidade do ensino a nível nacional, uma vez que proporciona a comparação e competição entre estudantes, professores e universidades; induz a reestruturação dos currículos do ensino médio e superior; contribui para a melhoria da qualidade do ensino em sala de aula, uma vez que melhora a relação de aprendizado aluno-professor, face à mobilidade dos estudantes; e ainda, possibilita o acesso dos melhores estudantes às melhores universidades públicas, independentes da sua origem, muitas vezes, distantes dos grandes centros. * JUVENAL MELVINO DA SILVA NETO, Professor de Economia da Unemat
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