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ARTIGO
Terça-feira, 18 de Julho de 2006, 20h:34

LUIZ CESAR DE MORAES

O nome é a cara do dono

Eu sou daqueles que acreditam que muita gente se parece com o nome. Ou é o nome que se parece com o dono? Afinal, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Bem, na maioria dos casos o dono do nome chega na frente, embora uma amiga minha já se refira à própria barriga como a Gabriela que ela não vê a hora de chegar. Por exemplo, há nome mais adequado para o professor Aecim Tocantins do que Aecim? Se há, não é de domínio público, pois o professor parece ter sido escolhido a dedo para receber este nome. Mas que há muito nome impróprio cujo titular passa a vida inteira pensando em mudá-lo, lá isso há. Há nome que transcende a simples impropriedade para ser esdrúxulo mesmo, na verdadeira acepção do termo. Num dos últimos censos, parece que foi o penúltimo realizado no País, o IBGE divulgou relação de nomes estranhos que deixou muita gente admirada. Os cinco filhos queridos que teve foram chamados por uma mãe brasileira de Ag, Eg, Ig, Og e Ug. Certa vez, num desses colégios de Segundo Grau, advertido por um bedel da escola, um adolescente não gostou de ser chamado a atenção e retrucou a altura. Quando o bedel quis saber seu nome, saiu-se com essa pérola: - meu nome é Um Dois Três de Oliveira Quatro. A turma de colegas acompanhava o episódio desde o início e explodiu em gargalhadas quando pouco depois o diretor apareceu na porta da sala indagando: - quem é o senhor Um Dois Três de Oliveira Quatro? Há uma lei, infelizmente pouco levada a sério pelos nossos cartorários, segundo a qual deve ser rejeitado qualquer registro de nascimento cujos parentes queiram dar nome esdrúxulo a um recém-nascido. Mesmo assim não é preciso ir longe para encontrar Pelópidas, Secundina, Natanair, Senhorinha, Previsto, Osterno, Amora, Florisbelo, Riroca e Urbano com freqüência incomum. O senhor Adolfo Veado Filho era contador estabelecido no interior de Goiás, um pai desnaturado que, não satisfeito em se chamar Adolfo Veado, ainda teve o desplante de pespegar igual nome ao seu primogênito. É possível isso? É, pois eu conheci pai e filho na década de 80. Sem se falar na tal da numerologia, uma novidade que ficou mais conhecida quando a cantora Sandra Sá mudou seu nome para Sandra de Sá, por recomendação de um numerólogo desses que fazem a felicidade das revistas de fofocas voltadas para os adolescentes. Há ainda nomes comuns de dois gêneros, com a capacidade de constranger garotos do sexo masculino na escola primária de três décadas atrás, quando a sociedade era muito mais machista que hoje. Os(as) chamados(as) Nadir, Zilvone, Tamires, Alair e Alcione sabem muito bem do que eu falo. LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário

Edição EDIÇÃO 16968




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