A palavra boato vem do latim boatus, mugido de boi. Em outras palavras, um bovino muge no meio da boiada e ninguém vai saber quem é. Boato é a mesma coisa. Alguém solta uma notícia falsa e vai se espalhando causando desastres em alguns casos inimagináveis. Foi o que ocorreu com o boato sobre o fim do Programa Bolsa Família. Em 12 estados, beneficiários se acotovelavam para fazer o saque quase causando pane no sistema. O que causou espanto é que os próprios beneficiários caíram na falsa informação de que o pagamento mensal estaria com os dias contados. Os analistas políticos e sociais se depararam com uma situação até então inquestionável. De que o programa seria mais um, e não o programa. A única verdade disso tudo é que o Bolsa Família é uma das bandeiras da atual administração federal e que jamais se pensaria em acabar com o programa. Ora, o próprio beneficiado deveria ter noção da importância do programa e não tem. Se não tem importância, então os bolsistas deram credibilidade ao boato classificado pela presidente Dilma como criminoso. E ela tem razão! Mas boatos não são privilégios do atual governo. Há algum tempo, já durante o Plano Cruzado, surgiu o boato de que os depósitos da caderneta de poupança seriam congelados e ninguém mais teria acesso. Houve pânico, entrevistas, enfim um desmentido oficial. O estrago foi menor, mas não deixou de ser um boato. Em Mato Grosso, há cerca de 10 anos, um boato de que o ex-PM Hércules Araújo Agostinho tinha sido baleado no Fórum Criminal foi tão forte, que nem uma tropa de choque de desmentidos foi suficiente. A então assessora de imprensa da Sejusp Denise Niederauer teve que sair de um evento e vir de helicóptero até o Fórum. No rasante, ela chamou os jornalistas para desmentir e informar que era tudo boato. As razões dos boatos não são nada infantis. Os interesses são os mais escusos. Ninguém propaga um boato sem interesse algum. Pior mesmo é investigar quem soltou a informação falsa. Ainda bem que, no caso do Bolsa Família, a Polícia Federal já está adiantada. Se for uma série de coincidências como já adiantaram, não acreditarei. O único boato inocente é o mugido do boi. ADILSON ROSA é repórter