Da espécie animal o homem é o único que trai seus semelhantes. O homem, que é animal racional porque age com a razão, também é o que mata por vingança, ódio ou nas guerras pelos mais diferentes motivos. O animal irracional só mata para a sobrevivência, e assim mesmo só ataca espécies que fazem parte da sua cadeia alimentar. Isso era assim até pouco tempo atrás, quando um animal irracional também começou a atacar o homem, as vezes desconhecendo o próprio dono, muitas vezes fazendo vítimas fatais. O cão pitbull se transformou num verdadeiro inimigo do homem, tantos são os casos de ataques a seres humanos de que se tem notícia. A história registra que a raça pitbull foi usada em guerras e caçadas, desde a Antigüidade e Idade Média, até séculos mais recentes. Devido à sua característica de extrema ferocidade, esses cães eram levados à caça do javali, urso e do gado selvagem na Europa e outros continentes. Há pouco tempo alguém teve a infeliz idéia de utilizar o pitbull como cão de guarda e desde então o mundo passou a conviver com incidentes muito freqüentes de ataques desses cães a seres humanos. Ataques tão ferozes que na maioria das vezes o ser humano acaba sendo devorado vivo pela fera em que o cão se transforma. Se um bom número de pessoas já está consciente do perigo que a sociedade enfrenta por conviver com o problema e não saber se vai encontrar um pitbull enraivecido na primeira esquina, por outro as ações no sentido de achar uma solução para o problema ainda são muito tímidas. A par das informações sobre o perigo de se permitir a criação de um animal como o pitbull em inocentes quintais, é urgente a tomada de posição de modo a proteger a comunidade como um todo. Ninguém quer generalizar e mover campanha contra a raça canina como um todo. Enquanto animal domesticado pelo homem, o cão tem sido de grande utilidade para os seres humanos. Talvez o ideal seria incentivar as pessoas a darem prioridade às raças mais mansas, que não representem perigo para as pessoas. Entretanto, leis mais severas se fazem necessárias, como necessárias são medidas rígidas de fiscalização dessas leis, de modo que ninguém mais possa alegar inocência na eventualidade de um novo ataque de pitbull contra seres humanos, quando na maioria absoluta das vezes o homem leva a pior e perde a vida. Caso contrário, os cães de um modo geral que sempre fizeram a alegria das crianças passarão inevitavelmente a ser considerados como os piores inimigos do homem. LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário