Um recente artigo meu questiona se as mulheres preferiam ser mais ricas ou mais magras. Foram comentários interessantes, alguns engraçados e também revelações curiosas, que servem de alerta para nós, homens: melhor mesmo é não tentar entendê-las. Admirá-las, amá-las, curti-las, venerá-las, paparicá-las, servi-las, acompanhá-las, mas sem cometer o erro de tentar entendê-las. Missão impossível. Qual homem, com menos de 120 quilos, cogitaria escolher a alternativa "ser mais magro"? Mas elas, vocês, pensam diferente de nós. Marte e Vênus! As respostas vindas de todos os cantos guardaram a mesma coerência e proporção daquelas que venho obtendo, ao vivo, junto ao público feminino desde que iniciei essa brincadeira: quando não podem escolher os dois, a maioria escolhe ser mais magra do que mais rica, ou, mais rica, para ficar mais magra. Poucas são as que escolhem ser mais rica, sem que isso seja um trampolim para ficar mais magra. Dessas, a maioria está no grupo que causa inveja às suas amigas. E não é pela conta bancária, porque quando mulher se acha magra, não resta dúvida, é magra mesmo. Pelo menos mais magra do que as suas amigas. Mas vamos ao lado bom dessa história não que o outro não seja, vamos, então, ao melhor lado desse resultado. Melhor SER ou TER? A linha de educação financeira com a qual trabalhamos, batizada de humanista, vai justamente nessa direção. Queremos, sim, ajudar as pessoas a conviverem melhor com o dinheiro, estimulá-las a fazer poupança, planejar os gastos, consumir com responsabilidade, evitar dívidas e a investir com estratégias compatíveis com seus sonhos e objetivos para que sejam mais prósperas, inclusive sob a ótica patrimonial e financeira, mas isso não é tudo. Outros aspectos, além dos financeiros, são extremamente relevantes para a felicidade humana. É isso o que a verdadeira educação financeira deve visar. Precisamos preservar valores éticos, humanos, sociais, inclusive, para não dizer principalmente, nas questões que envolvem dinheiro. Temos que preservar e respeitar princípios, as leis, a moral, ao invés de buscar o enriquecimento material a qualquer custo. Ah, se nossos políticos pensassem e agissem assim... Sem ater-me a questões religiosas ou piegas, há, sim, outras formas de riqueza. E todas podem conviver bem, inclusive com a riqueza material que também deve ser perseguida. A história prova isso. Apesar do paradigma com que muitos foram criados, diversos ricos já entraram no reino dos céus, mas jamais um camelo passou pelo buraco de uma agulha. Não há dúvidas de que é melhor SER alguém do bem, humano, bacana, do que TER o que quer que seja. Mas o melhor mesmo é que uma coisa não impede a outra. É possível SER rico e ao mesmo tempo SER humano. É possível, também, ser mais magra e ser mais rica. Uma coisa não impede a outra. Aliás, o que se aplica para um objetivo pode ajudar ao outro: estabelecimento de metas, mudanças de hábitos, disciplina, perseverança, atitude, motivação, prazeres. TENHAM todas mais dinheiro na bolsa e SEJAM mais felizes! * ÁLVARO MODERNELL é especialista em educação financeira, palestrante, autor de vários livros, projetos, cartilhas e artigos sobre educação financeira www.edufinanceira.com.br
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