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ARTIGO
Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013, 21h:57

LICIO ANTONIO MALHEIROS

O dito pelo não dito

É lamentável e deprimente a forma de agir de algumas pessoas, principalmente quando se trata de parlamentares eleitos pelo voto direto, para representar um povo; e estes acabam se perdendo, por falta de experiência ou por corporativismo, o que é pior. Rebuscando, a história da fundação da nossa Casa de Leis a Câmara Municipal de Cuiabá, desde sua efetivação, em 23 de dezembro de 1947, quando o cargo de vereador não era remunerado, até chegarmos a esta desastrosa 18ª Legislatura Biênio 2013/2014. Nunca se viu tanta lambança e despreparo por parte de alguns vereadores, como nestes meses de 2013. O último episódio vergonhoso e imoral aconteceu no momento em que ocorreu a troca de empurrões entre os vereadores Clovito Hugueney (PTB) e Wilson Kero Kero (PRP). Não entraremos neste mérito, pois o pior está por vir. O presidente em exercício da Câmara Municipal naquele momento, Onofre Júnior (PSB), para não deixar vazar cenas dantescas como as ocorridas entre vereadores, resolve cercear o direito à liberdade de imprensa, nessa casa de leis, estipulando horários a serem utilizados pela mesma, como se ela fosse a responsável pelo desatino de alguns vereadores. Segundo veiculação da própria imprensa, o mesmo já teria expedido um documento no qual limitaria o horário de atuação da imprensa nas sessões, podendo fotografar e filmar no início das mesmas e, pasmem os senhores!, por apenas 5 minutos, evitando assim que agressões verbais, empurrões e outras ações antagônicas ao papel de um parlamentar fossem levadas a público. É aviltante e imoral a forma de agir de alguns parlamentares, que se colocam na condição de representantes deste povo sofrido, que paga rigorosamente seus impostos na tentativa de vê-los revertidos em obras, ações que possam efetivamente lhes proporcionar bem-estar físico, mental e entretenimento; e estes, na maioria das vezes, acabam assistindo a verdadeiras atrocidades contra o estado democrático de direito, com o impedimento do acesso às informações, com a tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa. Num segundo momento, o presidente em exercício da Câmara Municipal, vereador Onofre Júnior (PSB), vem a público em uma emissora de televisão e diz que o referido documento teria sido expedido pelo secretário de Comunicação Luiz Acosta e Aparecido Alves, o Cido, e que este último seria o responsável pela fixação do referido aviso, em um espaço onde ficam os profissionais da comunicação. Aí é que vem o pior: a emenda ficou pior que o soneto. “Ele diz que esse documento extremamente impopulista teria sido votado e discutido em sessões anteriores”. O que causa estranheza é que a fixação do mesmo só ocorreu um dia após o episódio dantesco envolvendo os vereadores Clovito Hugueney (PTB) e Wilson Kero Kero (PRP) e, o que é pior, na fixação de qualquer documento teria que existir a anuência do presidente em exercício daquela Casa de Leis para que o mesmo fosse afixado e, principalmente, por se tratar de aviso extremamente impolulista e imoral, o cerceamento a liberdade de imprensa, que vem desenvolvendo um trabalho hercúleo na tentativa de bem informar à população. Pare o mundo, quero descer! *LICIO ANTONIO MALHEIROS, geógrafo e pós-graduado em Didática do Ensino Superior [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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