As alas do DEM, e não são poucas, que querem ficar na aba do poder (leia-se governo federal e estaduais controlados pelo PT e partidos aliados), agora podem pegar a barca pilotada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ele que está desembarcando da sigla e liderando a fundação de um novo partido e que já tem até nome saindo do forno: vai se chamar PDB (Partido Democrático Brasileiro) uma legenda que já nasce atraente por que vem à lume abençoada pelos estrategistas do Palácio do Planalto. Não conformados por terem que enfrentar uma oposição já esfacelada, os alquimistas da situação urdem para dividi-la ainda mais. Só falta decretar um partido único no país! Nessa conjuntura de passar o rodo, pode-se prever que a debandada de ditos democratas para o PDB não deve ser pequena e, segundo avaliações, ocorrerá em todo o país, à semelhança de um tsunami político. Cujo epicentro será em São Paulo, mas essas ondas de desfiliações do DEM ocorrerão em maior ou menor intensidade em todo o país. Inclusive aqui em Mato Grosso, onde o estrago nas fileiras demzistas não deverá ser pequeno. Fato que já estaria deixando preocupados e de orelhas em pé líderes tradicionais da legenda, desde os tempos do extinto PFL, como é o caso dos irmãos Jayme e Júlio Campos. Que, nesse aspecto, podem ser chamados de caciques (e são, realmente, a exemplo de outros que pontuam na política mato-grossense em legendas diferentes), menos de incoerentes partidariamente falando, pois que permanecem firmes no mesmo grupo há décadas. Pelo menos, por enquanto. E pelo histórico partidário dos dois, pode-se crer que não embarcarão com Kassab. A estratégia de se criar um novo partido é uma saída jurídica, bem à moda brasileira (olha o jeitinho aí, minha gente!), para viabilizar a adesão de Kassab e seguidores à base governista federal, sem que sofram retaliações e ameaças, por exemplo, de virem a ter seus mandatos cassados (para aqueles que ocupam cargos eletivos, obviamente) por crime de infidelidade partidária. O que ficaria caracterizado, segundo juristas especializados em Direito Eleitoral, caso a debandada ocorresse em direção ao PMDB, PSB ou outros partidos ajoujados nos braços do PT. Como sempre ocorre nessas circunstâncias, a desculpa de Kassab e correligionár ios, é a insatisfação derivada da falta de espaços no DEM para viabilizar seus projetos eleitorais futuros. Do ponto de vista jurídico, está tudo pronto para o lançamento do PDB. Apesar de ter nascido do suposto descontentamento do grupo de Kassab com a cúpula do DEM, os formuladores da nova legenda informam que mais de três mil políticos de diversas correntes já demonstraram interesse em compor a nova legenda. Como se percebe, a falta de firmeza ideológica que caracteriza grande parte da política e dos políticos brasileiros, enseja esse tipo de mudança. A história se repete e é tal qual à da criação de outras legendas nascidas de dissidências de partidos anteriormente instituídos, inclusive com direito a discursos grandiloqüentes: "O PDB deve entrar para a história política co mo uma espécie de terceira via. Nesse quesito, alguém pode questionar se criar partidos não faz parte do jogo democrático? Não, necessariamente, pelos motivos que, no mais das vezes, levaram e levam ao surgimento de uma enxurrada de siglas no Brasil. Mais do que fundar partidos, a jovem democracia brasileira precisa fortalecer os atuais, além de uma ampla reforma política (emperrada, aliás, no Congresso) que expurgue os considerados nanicos, não porque sejam pequenos, mas por serem de aluguéis. Com referência a mais nova sigla em breve na praça, pode-se dizer que o canto da sereia do poder maior realmente é sedutor e funciona. Quando não se tem vocação para ser oposição. Mário Marques de Almeida é jornalista www.paginaunica.c om.br
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